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Zelaya: “solidariedade a Honduras
é expressão de uma nova era na AL”
“Não há como
aceitar um governo surgido de um golpe”, afirmou
o presidente hondurenho
O
presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, desde a Embaixada do
Brasil em Tegucigalpa, em entrevista à Rádio Globo - um dos únicos meios de
comunicação da capital hondurenha que não aceitou ser maniaetado pelo
governo usurpador de Roberto Micheletti - destacou a demanda popular por uma
saída para a crise que se instalou no país com o golpe. “Não há como aceitar
que se mantenha um governo surgido de um golpe à democracia, aos direitos
dos hondurenhos. Vim para que o diálogo seja direto, para que se reconstrua
o sistema democrático do país e que nunca voltem a se suplantar os poderes
do cidadão, a soberania popular”, afirmou.
Zelaya, que retornou ao seu país na segunda-feira, dia 21, agradeceu a
solidariedade dos chefes de Estado e governos do mundo inteiro que
rejeitaram o golpe ocorrido em 28 de junho. “Agradecemos sinceramente a
comunidade internacional, a todos os presidentes, de todos os governos que
têm nos apoiado tão sinceramente e vamos agradecer ainda mais quando se
restitua a democracia no país e quando retorne a paz. Este apoio é a
manifestação de uma nova época na América Latina, de solidariedade e defesa
da soberania de nossos países”, acrescentou.
Zelaya disse que está em contato “permanente” com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, “e outros presidentes” que participam da Assembléia Geral da
ONU e expressou que deseja que “a pressão que está exercendo a comunidade
internacional contra o golpe, o anúncio que o Brasil e os Estados Unidos
fizeram de que vai se convocar, na quinta-feira, dia 24, o Conselho de
Segurança das Nações Unidas, resulte em fatos concretos para apoiar este
povo que está sofrendo, que não merece este destino depois de tanto
sacrifício, de tanta exploração de décadas e décadas”, assinalou.
O presidente qualificou de manipulação uma proposta de diálogo do governo
golpista, na qual se nega a sua restituição no cargo. “Não há vontade de
resolver a crise de Honduras, a convulsão que vive o país depois do golpe de
Estado”, disse. O usurpador Micheletti falou, na terça-feira passada, estar
disposto a dialogar se Zelaya reconhece, sem condições, o processo eleitoral
de 29 de novembro próximo e propôs uma mediação para as próximas semanas.
Manuel Zelaya respondeu que as eleições não podem acontecer num clima de
repressão, crimes e violações aos direitos humanos da população. “O povo
hondu-renho só exige a restituição de seus direitos, as eleições, para valer
e aceitas por todo mundo, devem se realizar em condições de igualdade para
todos os candidatos, não uma parte com todos os privilégios e outros
reprimidos”.
O estadista lembrou que os autores do golpe militar cometeram um grave
delito e devem responder ante a justiça por seus crimes. Assinalou que
aprovou o plano para a solução da crise proposto pelo presidente da Costa
Rica, Oscar Arias, para seu regresso condicionado, que foi rechaçado pelos
golpistas.
Sublinhou que sua proposta de diálogo foi respondida por Micheletti e os
golpistas das forças armadas com uma brutal repressão que provocou mortes,
feridos e detenções arbitrárias.
“Advirto à comunidade internacional, que Manuel Zelaya Rosales, filho de
Hortencia e José Manuel, não se suicida, está vivo, lutando pelos seus
princípios com firmeza e prefere morrer firme, que ajoelhado ante essa
ditadura e que isso fique muito claro para esses tiranos que estão querendo
governar o país com a força das armas”, assinalou o próprio presidente,
denunciando as ameaças de invadir a Embaixada brasileira, acabar com a sua
vida e divulgar, depois, a versão de que teria se suicidado.
“Revistaram casas vizinhas da embaixada”, prevalece “um estado de sitio
total” com “milhares de prisioneros e pessoas feridas nos hospitais” num
contexto de “terrível situação de insegurança”, afirmou.
“A policia está nas ruas reprimindo, não deixam que as pessoas cheguem à
embaixada”, frisou, mostrando que “o país não voltará à calma enquanto o
presidente estiver sem liberdade de movimentação”.
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