|
Levante nos
bairros de Tegucigalpa
desafia o toque de recolher golpista
Milhares
de hondurenhos marcharam por Tegucigalpa na quarta-feira, dia 23. A
manifestação, que segundo os líderes da Frente Nacional de Resistência
contra o Golpe de Estado ocupava cerca de dois quilômetros, saiu da
Universidade Nacional, e se dirigiu em direção à sede das Nações Unidas, na
região central da cidade.
Os manifestantes, moradores da capital, cantavam “Veio Mel”, “Mel amigo, o
povo está contigo”, “Fora golpistas”, recebendo a simpatia das pessoas que
estavam nas ruas. Grandes colunas de estudantes e trabalhadores que chegaram
do interior não puderam entrar na cidade devido as barreiras impostas pela
ditadura nas ruas de acesso à capital.
“A resistência tem sido extraordinária. Os bairros continuam sublevados e,
rechaçando o toque de recolher, estão saindo às ruas. Há enfrentamentos com
a polícia, mas o povo só cresce na mobilização”, afirmou Rafael Alegria,
dirigente da Frente, à Agência Bolivariana de Notícias (ABN) da Venezuela.
Os golpistas foram obrigados a levantar o toque de recolher que havia sido
decretado na terça-feira, dia 22, sendo reimplantado as 17 hs. da quarta.
No bairro Arturo Quezada, da capital, a polícia disparou contra os
manifestantes, provocando um morto, dirigente do Sindicato do Instituto
Nacional de Formação Profissional (INFOP), e resultando 5 pessoas feridas.
Na cidade industrial do país, San Pedro Sula, ao norte de Honduras, duas
pessoas forma mortas na terça-feira, um jovem de 18 anos de idade, Elvìn
Jacob Euceda, e outro de identidade ainda indefinida. Em todo o país há
denúncias de assassinatos; há feridos, detidos, desaparecidos; sendo que a
maior repressão ocorreu na capital, Tegucigalpa.
Alegría confirmou que, na quarta-feira, funcionários da ONU conseguiram
entrar na embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde Zelaya permanece desde a
segunda-feira passada, quando regressou a Hondu-ras, “para prover de
alimentos e líquidos ao presidente e aos que o acompanham”.
“O que vimos é de uma salvageria total. Uma menina de oito anos com o braço
quebrado e dirigentes sindicais com a cabeça aberta no hospital. O estádio
na Vila Olímpica (um bairro na periferia da capital) foi transformado em
centro de detenção. Vimos mais de 300 pessoas presas, sem ordem do juiz ou
qualquer acusação”, afirmou Bertha Oliva, presidente do Comitê de Familiares
de Detidos e Desaparecidos em Honduras. Também denunciou que a polícia
invadiu dezenas de casas na capital e prendeu professores e dirigentes
sindicais, que participaram das manifestações e greves exigindo a volta de
Zelaya. |