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Polícia de São Paulo apura mais R$ 2,4 mi
em propina da Alstom
Segundo múlti, recurso foi usado em transação com títulos da Cesp
A multinacional Alstom pagou cerca de R$ 2,4
milhões à empresa fantasma Mutual Finance Investimentos & Participações,
aberta em nome de duas donas de casa que moram em palafitas na periferia de
Manaus (AM). Os depósitos, feitos em 2003, teriam sido usados para pagar
propina a políticos e funcionários públicos, segundo documentos da Polícia
Civil de São Paulo.
A Alstom, que está sob investigação no Brasil,
na Suíça e na França por suspeita de suborno para obter contratos públicos
com empresas estatais paulistas nos governos do PSDB, alegou que o dinheiro
pago à empresa fantasma seria a comissão de um corretor pela venda de
títulos emitidos pela Cesp (Companhia Energética de São Paulo). A polícia
desconfia da versão, com base em normas do mercado que dizem que as
comissões não devem superar 1,5% do valor dos títulos. Em 2003, a empresa
vendeu papéis da Cesp no valor de R$ 18.529.115 e, nesse caso, a comissão
paga equivaleria a 13%.
O Ministério Público paulista e a Polícia
Federal investigam contratos da multinacional com a Eletropaulo e o Metrô.
Trinta inquéritos já foram abertos para apurar as irregularidades. Parte
deles foram instaurados a partir de representações encaminhadas pela bancada
do PT na Assembléia de São Paulo.
Na Suíça, a Justiça congelou as contas do conselheiro do Tribunal de Contas
do Estado de São Paulo Robson Marinho e do irmão do presidente do Metrô,
Jorge Fagali Neto, suspeitos de receberem propina da empresa.
A conta da Mutual também recebeu depósitos de
empresas citadas na CPI dos Correios, como a DNA Propaganda, do publicitário
Marcos Valério, e a corretora Bônus Banval. A polícia descobriu os
documentos investigando uma corretora de câmbio suspeita de trabalhar para
doleiros.
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