Siqueira: múltis não conhecem e não têm tecnologia para pré-sal
Petrobrás é
a mais capacitada, diz presidente da Aepet
O
Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio de Janeiro
promoveu na segunda-feira (28), na Assembleia Legislativa, o debate “O Rio
de Janeiro e o pré-sal: impactos do novo marco regulatório", sobre os
projetos de lei encaminhados pelo governo federal ao Congresso Nacional.
“O fato de a Petrobrás ser a única operadora é
excelente. Ela conhece o pré-sal e tem tecnologia. Para que trazer uma
empresa internacional que não conhece o pré-sal e não tem a tecnologia
desenvolvida pela Petrobrás? Além do mais, a Petrobrás por ser uma empresa
estatal pode ser controlada pelo povo e uma empresa transnacional, não”,
afirmou em sua exposição o presidente da Associação dos Engenheiros da
Petrobrás (Aepet), Fernando Siqueira, contestando os representantes das
multinacionais que se opõem ao papel da Petrobrás no pré-sal, entre eles o
secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis (IBP), Alvaro Teixeira, que, defendendo a manutenção da lei
do Fernando Henrique (Lei 9.478/97), disse que “colocá-la [a Petrobrás] com
a exclusividade na operação dos futuros blocos do pré-sal, isto é, sem
licitação, pode suscitar no futuro sérias questões jurídicas sobre sua
constitucionalidade e vai limitar a transferência de tecnologias de outras
empresas para o Brasil”.
Fernando Siqueira rebateu dizendo que “se a lei
estabelecer que a Petrobrás vai ser contratada não tem problema nenhum, não
tem inconstitucionalidade nenhuma, até porque a Petrobrás durante 55 anos
exerceu o monopólio que é da União. E com isso ela descobriu 90% do petróleo
da nossa autossuficiência e descobriu o pré-sal, porque a lei 2004 lhe
proporcionou a realização de 30 anos de pesquisa”.
Em entrevista após o evento, o presidente da
Aepet acrescentou: “Um dos argumentos do lobby [das multinacionais] é de que
se a Petrobrás for a operadora única não tem desenvolvimento tecnológico. É
uma falácia pelo seguinte: em primeiro lugar, a tecnologia de perfuração
pertecence a empresas especializadas que alugam para a Shell, para Exxon,
para a Petrobrás, para todo mundo. A Petrobrás foi pioneira no
desenvolvimento conjunto com essas empresas porque foi a primeira a ir para
águas profundas, portanto, a Petrobrás conhece bem o sistema, sabe como
usá-lo, mas a tecnologia é dessas empresas. Elas que alugam as plataformas,
que hoje custam US$ 600 mil dólares por dia, porque há poucas e muita
demanda. Não há problema tecnológico nenhum. Quem contratar essas empresas
vai contratar o mesmo serviço com o mesmo avanço tecnológico”.
“A Petrobrás leva uma vantagem sobre as demais
porque conhecendo a tecnologia que ela desenvolveu junto pode melhorar cada
dia mais, dá a chamada retroalimentação, para cada vez essas empresas
melhorarem. E a Petrobrás sabe como usar isso melhor do que ninguém”.
Siqueira também criticou a manutenção dos
leilões no pré-sal. “O fundamental é ter a propriedade do petróleo. O
contrato de concessão dá a propriedade a quem produz. Você tem o pré-sal,
onde não tem risco. Leiloar essas áreas é entregar bilhete premiado. E
entregar bilhete premiado para empresas que vêm aqui para intermediar a
sonda, completação submarina e linha flexível e ainda levam uma parte
enorme. Com o contrato de concessão elas são donas do petróleo. Se são
donas, são elas que comercializam, que usam o petróleo como contrapartida.
Se elas vendem para a Europa, por exemplo, que está desesperada atrás de
petróleo, exigem uma contrapartida altíssima para garantir fornecimento”.
“Outro ponto colocado pelo lobby estrangeiro é
que a Petrobrás deslanchou e teria sido beneficiada pela Lei 9.478. A
realidade é outra”, rebateu o presidente da Aepet. “Durante 25 anos o
governo obrigou a Petrobrás a comprar petróleo pela média de US$ 25 o barril
e vender no mercado nacional a US$ 14, sob o argumento de que precisava
conter a inflação. Essa diferença de US$ 11 que a Petrobrás perdia era
contabilizada em uma conta chamada conta-petróleo, que mais tarde o governo
prometia pagar e nunca pagou. Essa conta chegou a atingir US$ 11 bilhões”,
relatou. “Quando chegou em 1999, o governo Fernando Henrique pretendia
vender a Petrobrás e ele tirou essas amarras para poder vender a uma empresa
estrangeira a Petrobrás lucrativa. Com isso, passou a permitir que a
Petrobrás vendesse pelo mesmo preço no mercado nacional. A Petrobrás deixou
de perder com o petróleo que importava e passou a ganhar muito com o
petróleo que produzia, porque o custo de produção depois de feitas as
instalações era de US$ 3 por barril. E a Petrobrás passou a vender a US$ 20
dólares o petróleo produzido. Foi isso que alavancou fortemente os lucros da
Petrobrás. Ela perdeu aquela amarra absurda imposta pelo governo, que dava
até dificuldade de caixa na empresa e passou a faturar alto com petróleo
produzido no país. Essa é a realidade”.
Participaram dos debates o secretário estadual
de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno; o vice-prefeito do Rio de
Janeiro, Carlos Alberto Muniz; o senador Francisco Dornelles (PP-RJ); e
representantes da Firjan, Faerj e Fecomercio-RJ.
O deputado estadual Paulo Ramos (PDT) lembrou
que “aqueles que argumentam contra uma suposta falta de tempo para o debate
no Congresso Nacional são os mesmos que de forma açodada desfiguraram a
Constituição, principalmente os artigos da ordem econômica que atendiam os
interesses nacionais. São os mesmos que tentam contrapor os interesses dos
estados e municípios com os da União. Mas só é possível defender os estados
e os municípios se paralelamente defendermos o nosso país. Não existe
município forte, com país fraco. Então, nós que defendemos os interesses do
Estado e dos municípios do Rio de Janeiro temos o dever e a obrigação de
também defender os interesses da Nação”. Por isso, completou Ramos,
“defendo não só o regime de partilha, como a volta do monopólio estatal do
petróleo”.
VALDO
ALBUQUERQUE