Lula: golpista é golpista, não é “governo de fato”
O
presidente Lula afirmou que “o governo brasileiro não acata o ultimato de um
golpista, usurpador de poder”, em entrevista coletiva na Ilha de Margarita,
na Venezuela, durante a reunião de cúpula de 65 países da América do Sul e
da África, realizada no último fim de semana.
Segundo Lula, “Manuel Zelaya vai ficar enquanto
for necessário dar segurança para ele na embaixada”. “O que eu acho triste é
que muitas vezes eu ouço perguntas como se o Zelaya fosse culpado de ser o
presidente legítimo do seu país, de voltar para o seu país, e os golpistas,
como se fossem os inocentes”. “Golpista não tem meia palavra: é golpista.
Usurpou o poder, tirou um presidente legitimamente eleito pela via
democrática, tirou do seu país, largou em outro país, e é normal que o
presidente queira voltar para o seu país”, destacou Lula.
“O governo brasileiro não negocia com os
golpistas. Quem tem de negociar é a Organização dos Estados Americanos (OEA)
e o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que já tomaram as decisões”,
acrescentou. O presidente ironizou o fato da imprensa brasileira insistir em
chamar Micheletti de “presidente interino” e “presidente de fato”. “Eu não
sei, quem de vocês inventou esse negocio de governo de fato, ou seja, vocês
estão sofisticando o golpismo”, afirmou. “Esse governo de fato é um nome
sofisticado para você não dizer golpista! Isso é golpismo em Honduras, seria
golpismo no Brasil, seria no Chile, seria na China”, argumentou.
Para Lula, a alegação de que Zelaya foi deposto
porque defendeu um terceiro mandado é pura balela. “Não tem explicação por
que o Micheletti deu o golpe. Imagina, o Uribe quer o terceiro mandato na
Colômbia e por isso ele sofre um golpe. O que ele está propondo é um
referendo, ou seja, as pessoas não estão pedindo para ser indicado pelo
Poder Legislativo, as pessoas estão pedindo um terceiro mandato com
referendo e com uma série de coisas”, explicou.
Lula rebateu também as críticas de que o Brasil
tenha ajudado Zelaya a entrar em Honduras. “Não participamos desta decisão.
O presidente teve que parar em alguma embaixada, e eu acho que a preocupação
não é saber em que embaixada ele está ou como chegou à embaixada”. “O caso
concreto é que você tem um golpista no poder. E o presidente eleito
democraticamente foi afastado do cargo. E é justo que o presidente eleito
queira voltar a seu cargo”, destacou.
Sobre a possibilidade dos golpistas invadirem a
embaixada brasileira, Lula foi enfático. “Estarão cometendo uma violação que
contraria todas as normas internacionais. O território de uma embaixada é
inviolável”, respondeu o presidente. Muitos brasileiros, argentinos e
uruguaios “foram salvos” porque se refugiaram em embaixadas. São territórios
de cidadania que as pessoas perseguidas podem ou não ocupar. Nem a ditadura
do Pinochet, a mais sangrenta do continente, violou uma embaixada”,
completou.