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Amorim: Brasil é o “guardião do presidente legítimo de Honduras”
O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, denunciou na segunda-feira (28) o que considerou uma “surdez’ dos
golpistas de Honduras. “Nossa preocupação está centrada em dois fatores
importantes: o pseudo ultimato dado pelo governo golpista em relação à presença
diplomática do Brasil e à recusa da entrada da missão precursora da OEA em
Tegucigalpa”, disse Amorim.
“Os dois fatos são graves porque demonstram que
há quase um estado de surdez das autoridades em relação ao que tem dito a
comunidade internacional”, prosseguiu Amorim. Para o ministro, as ações
demonstram uma “total falta de receptividade” dos golpistas. “Não receber a
missão precursora da OEA, é uma posição negativa ao diálogo. O ultimato denota
também, além de um total descaso pelo direito internacional, uma incompreensão
em relação à situação”.
O Itamaraty enviou na segunda-feira uma nova
carta à presidente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações
Unidas), Susan Rice, expondo preocupações sobre o ultimato dado pelas
autoridades golpistas de Honduras ao Brasil.
Amorim afirmou ainda que o governo brasileiro
tornou-se “guardião” do presidente Manuel Zelaya. “O Brasil virou guardião de um
presidente democrático, o presidente legítimo de um país”, afirmou. “Retirar
esse apoio, disse o ministro, seria um ato de covardia”. “Seria muito fácil para
nós simplesmente retirar os dois diplomatas que estão lá e o oficial de
administração e o problema de segurança, do ponto de vista do Brasil,
terminaria. Mas nós não podemos fazer isso, porque seria, primeiro, um gesto de
covardia e, segundo, um gesto de desrespeito à própria democracia e um incentivo
a outros golpes de Estado no continente, coisa que não podemos fazer”, completou
o chanceler brasileiro.
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