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Bancários ampliam greve e ocupam as ruas por
aumento
Trabalhadores
realizaram manifestações em diversos Estados e
afirmaram que irão manter a mobilização
“A ampliação da greve foi uma resposta à
intransigência dos bancos. É um aumento
expressivo que demonstra o enorme
descontentamento dos trabalhadores com a
proposta rebaixada que nos foi apresentada”,
afirmou Carlos Cordeiro, presidente da
Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro (Contraf) e coordenador do Comando
Nacional de greve. Após cinco dias de
paralisação, nesta segunda-feira, em todo o
país, já são 5.786 agências fechadas ou
funcionando parcialmente. Na última sexta-feira,
este número era de 2,8 mil agências.
Para Cordeiro, “é inadmissível que o setor da
economia que mais apresentou ganhos nos últimos
meses, com lucros de R$ 19,3 bilhões no primeiro
semestre, segundo o Banco Central, faça uma
proposta sem aumento real de salário e sem
valorização dos pisos e com uma Participação nos
Lucros e Resultados (PLR) menor do que a do ano
passado”. Além disso, frisou, “a proposta não
atende as demandas de emprego e melhores
condições de saúde, segurança e trabalho”.
Em São Paulo,
uma grande mobilização tomou a Avenida Paulista,
sexta-feira, em defesa do aumento salarial.
Conforme denunciou o presidente do Sindicato,
Luiz Cláudio Marcolino, o assédio moral para
desmobilizar os trabalhadores foi usado pelos
banqueiros que, sem sucesso, passaram a chamar a
polícia para reabrir as agências.
Em Brasília, cerca de 500 manifestantes
concentrados no Setor Bancário Sul, em frente à
sede do Banco do Brasil, saíram em passeata até
o Ministério da Fazenda, onde entregaram
documento com a pauta de reivindicações.
Sindicatos de outros Estados, como Rio Grande do
Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia e Alagoas,
também realizaram manifestações, enquanto os
bancos privados tentam na Justiça impedir a
greve. No Rio de Janeiro, o banco Bradesco
entrou pela segunda vez com o pedido de
interdito possessório, que foi negado pelo juiz
Marcel da Costa Roman Bispo, da 20ª Vara do
Trabalho do Rio de Janeiro. “O interdito
possessório, para se justificar, só teria
sentido pela ameaça do direito de propriedade do
banco autor. Contudo, o direito dos empregados
de entrarem, aderirem à greve, ou não, não pode
se tratado como um direito de propriedade”.
Nesta segunda-feira, em Belo Horizonte, o
Bradesco e o Itaú Unibanco utilizaram a PM, que
abusou da violência, para forçar a abertura de
agências. Repudiando a arbitrariedade, os
bancários saíram em passeata pelas principais
ruas do centro da capital, após assembleia. Para
o presidente do Sindicato dos Bancários de Belo
Horizonte e Região, Clotário Cardoso, “temos que
repudiar firmemente essa postura truculenta da
direção do Bradesco e do Itaú Unibanco que
continuam se valendo do instrumento do interdito
proibitório para abrir as agências à força. Mas,
apesar de tudo isso, os bancários estão dando um
exemplo de força e de coragem e ampliando a
mobilização”, afirmou.
Após reunião de avaliação do movimento
reivindicatório, sábado, o comando da categoria
cobrou da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)
a retomada das negociações e reforçou as
reivindicações dos mais de 450 mil bancários do
país: reajuste salarial de 10% (5% de aumento
real), PLR composta pelo pagamento de três
salários, acrescidos de valor fixo de R$ 3.850,
e pisos salariais entre R$ 1.432 e R$ 4.605,73.
Os bancos oferecem reajuste de 4,5% e 5,5% de
participação nos lucros.
No documento enviado à Fenaban, os bancários
reafirmam que a proposta para atender às
necessidades dos trabalhadores precisa ainda
contemplar o combate às metas abusivas,
auxílio-educação e plano de previdência
complementar para todos. |