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Banco Mundial
prevê “eclipse do dólar”
“Os Estados Unidos estarão cometendo um erro se derem por garantido o lugar do
dólar como moeda de reserva mundial predominante”, afirmou o presidente do Banco
Mundial, Robert Zoellick, em conferência na Universidade Johns Hopkins, às
vésperas da reunião anual conjunta com o FMI, que será realizada na Turquia. Ele
admitiu que “o status das verdinhas” está sob ameaça da crescente força do yuan
chinês e do euro.
As declarações de Zoellick foram apresentadas no jornal inglês “Guardian” sob o
título: “Dólar a caminho de ser eclipsado, prediz o presidente do Banco
Mundial”. Ele advertiu que o que chamou de “usurpação” do papel do dólar poderá
acontecer, à medida que “definha a dominância norte-americana com a irrupção da
crise financeira”. “Chegou a hora” – ele assinalou - de que a “tomada de
decisões seja compartilhada entre as velhas potências e os países emergentes”.
Ele também saudou o “papel expandido” do G-20, porém sem exclusão do BM, do FMI
e da OMC. O Banco Mundial é encabeçado pelos EUA desde sua criação.
De acordo com o jornal, desde o acordo de Bretton Woods, pós II Guerra Mundial,
“que cimentou a ascendência do dólar sobre a libra esterlina”, os
norte-americanos têm sido capazes de “contar com empréstimos baratos do resto do
mundo conforme governos transacionam dólares como uma aposta segura”. O jornal
destacou ainda que vários países, inclusive China e Rússia, têm repetidamente
levantado o problema da “excessiva hegemonia do dólar”.
“Há crescentemente outras opções ao dólar”, notou Zoellick, “e de agora em
diante a confiança na moeda dos EUA – e sua economia – terá de ser conquistada”.
Para ele, o futuro dos EUA está na dependência de se o país saberá “lidar com
grandes déficits, relançar a economia sem inflação que mine o crédito e a moeda,
e supervisionar seu sistema financeiro”. Ele predisse, ainda, que os tumultuosos
eventos do aperto de crédito poderiam levar a uma ordem econômica mundial
radicalmente diferente.
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