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Espanha: desemprego dispara e o PIB
tem queda de 3,7% prevista para 2009
Com a economia em recessão há 4 trimestres e um recuo do PIB de 3,7%
previsto para esse ano, além de 27% menos na arrecadação de impostos pelo
Estado e de ter o maior número de desempregados em toda a Europa, a Espanha
discute a necessidade de aumentar sua arrecadação, elevando impostos. A
equipe do governo não quer taxar os ganhos de salários, mas pensa em taxar
os ganhos do capital, motivo suficiente para suscitar uma vibrante
discussão. A polêmica foi para imprensa conservadora a serviço da direita,
herdeira do franquismo, e que não aceita o projeto de orçamento proposto.
O jornal madrilenho “El País” comanda os ataques ao governo e condena a
“improvisação e ligeireza diante da crise”, em apoio aos monopólios e suas
políticas de “reestruturação”, baseadas em “demissões para conter gastos” e
manter lucros.
A Espanha é uma monarquia parlamentarista e, curiosamente, tem um “rei” que
não governa e um chefe de governo que é “presidente” e não
primeiro-ministro. José Luiz Rodriguez Zapatero, o Presidente do Governo,
está isolado. Seu projeto de solução para a crise não tem apoio nem dos
partidos de direita nem dos de esquerda.
Em um ano, o déficit orçamentário do país foi multiplicado por 5, chegou a
4,7% do PIB nos primeiros sete meses do ano e o governo prevê que até o
final de 2009 esse déficit atinja os 10%.
Com muitos milhares de desempregados e um milhão deles que recebem o
seguro-desemprego atingido o período limite a que têm direito ao benefício o
governo estuda também a possibilidade de aprovar um abono extra de 420 mil
euros. Os sindicatos exigem que ele seja retroativo e atenda aos que
perderam o emprego a partir janeiro de 2009.
São medidas tímidas, paliativas, que contornam mas não enfrentam a crise e
ainda assim a camarilha-lobista dos monopólios na mídia pressiona o governo
e reclama que “o retorno à ortodoxia orçamentária do Tratado de Maastricht -
que exige um déficit inferior a 3% do PIB - prometido pelo governo Zapatero,
vai ter que esperar mais tempo”, afirma um neoliberal colunista do Le Monde,
inconformado com o aumento de 24,5% nas despesas públicas do governo
espanhol.
Em agosto a Espanha registrou 85 mil novos desempregados, segundo dados do
governo, e esse número tende a ser ainda maior na medida em que chega o
outono e o fim dos empregos temporários ligados ao turismo.
A previsão da OCDE para 2010 é que o desemprego na Espanha chegue a 20% da
população. Mas esse percentual pode ser ainda maior.
O Estado espanhol sofreu perdas de arrecadação muito grandes com as
privatizações das últimas décadas, que transferiram para o controle privado
empresas estratégicas para o desenvolvimento do país. Foi o caso da
“Telefónica de Espanha”, que obteve ganhos fabulosos com recursos dos
espanhóis e abocanhou boa parte do mercado brasileiro com os recursos do
BNDES, dos trabalhadores brasileiros, gentilmente fornecidos por Fernando
Henrique, trazendo prejuízos graves para o funcionamento da telefonia no
Brasil e para os sistemas de Internet operados pela múlti que estão hoje em
colapso.
ROSANITA CAMPOS |