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Golpista fecha TV, espanca jornalistas e
impede bispo
de conversar com Manuel Zelaya
A ditadura de Micheletti invadiu as sedes da Rádio Globo e do canal 36 de
Tegucigalpa, às 5 horas da manhã, e seus agentes carregaram para destino não
conhecido os materiais e equipamentos dos principais meios de comunicação que se
opunham abertamente ao golpe perpetrado contra o governo constitucional de
Manuel Zelaya.
O jornalista Carlos Paz, da Rádio Globo, revelou que o proprietário da estação,
Ale Villatoro, foi golpeado por policiais, e o diretor David Romero, junto com
um dos locutores do jornal informativo, Raúl Martinez, conseguiram escapar
pulando um muro.
Um jornalista da TV mexicana e outra da Guatemala foram espancados pela polícia
quando faziam reportagem sobre a invasão da Rádio e do Canal 36.
Na sexta-feira, os golpistas impediram o bispo católico Luis Alfonso Santos e o
candidato presidencial César Ham de se reunirem com o presidente Zelaya na
embaixada do Brasil.
O bispo Alfonso Santos conseguiu apenas falar por telefone com Zelaya, quando o
presidente denunciou o uso de gás pelas forças policiais e o uso de sons
estridentes.
Em declarações à agência Efe, César Ham disse que Zelaya negociou mas “o governo
golpista de Micheletti não deu permissão para chegar à embaixada do Brasil”.
Driblando a repressão, no mesmo dia, os jornalistas, apoiados por dirigentes
sindicais e sociais, conseguiram transmitir por internet os sinais que podiam
ser captados em
www.radio-globohonduras.com/chat.html.
“Não adianta querer amedrontar nosso povo. Os hondurenhos manifestaram uma
coragem que esses golpistas a serviço de interesses anti-pátria não conseguiriam
sequer imaginar. Com ou sem toque de recolher vamos continuar nas ruas a favor
da restituição da democracia”, afirmou Juan Barahona, líder da Frente Nacional
contra o Golpe de Estado, relatando as mobilizações ocorridas na segunda-feira,
quando o golpe completou 3 meses.
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