|
Gilmar Mendes não viu o inquérito, não leu, não gostou e tem raiva da PF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Gilmar Mendes, declarou que a ação da Polícia Federal na Operação Castelo de
Areia foi “abusiva”. “Já estamos cansados, temos um elenco, um dicionário de
abusos, sabemos mais ou menos de cor e salteado, de A a Z, o que se pode
fazer em série de abusos”, disse Mendes, defendendo a criação de um órgão
externo para controlar a PF.
Estranho que sem ter conhecimento de toda a
Operação o presidente do STF se apresse a criticar a ação da polícia,
fazendo um prejulgamento, como aponta a procuradora da República, Karen
Louise Kahn, em nota divulgada na terça-feira, criticando a liberação dos
investigados presos na Operação Castelo de Areia, por decisão do Tribunal
Regional Federal, da 3ª região, em São Paulo.
Para a procuradora, o “conjunto probatório
constante dos autos, lamentavelmente, não foi levado, na sua integralidade,
ao conhecimento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que, por
intermédio da digna Relatora do habeas corpus impetrado, e sob tais
circunstâncias, decidiu liminarmente pela libertação dos diretores da
Camargo Corrêa ora investigados e indiciados”. A relatora do habeas corpus
favorável aos executivos da Camargo Corrêa foi a desembargadora Cecília
Mello. “(...) O mesmo se dá com relação ao Supremo Tribunal Federal, que
segundo veicula a imprensa, sem ter tido acesso aos autos, estaria, por meio
de alguns dos seus ministros, veiculando prejulgamentos contrários à forma
de deflagração da operação...”.
O procurador-geral da República, Antonio
Fernando de Souza, também rechaçou a proposta de Gilmar para colocar a PF
sob tacão. Segundo Antonio Fernando, “se o Judiciário desempenhar bem a sua
função, já presta a sociedade um relevante serviço. O MP se encarrega do
controle externo e fará bem isso”.
|