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CARTAS
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Páscoa
A Paixão de
Cristo sempre causa um sentimento de justa indignação aos que a
relembram. Como puderam condenar à morte alguém que pregava a paz e a
igualdade entre os seres humanos? Pensando bem, fazia sentido naquele
contexto: Os romanos podiam confrontar qualquer exército de seu tempo,
mas não tinham como lidar com idéias tão “subversivas” como as pregadas
por Jesus. Acostumados a liderar com o respaldo de miríades de regras
seculares, os doutores da lei também temiam que o livre-arbítrio pregado
por aquela doutrina ameaçasse seu poder. Assim, Cristo era, de fato,
muito perigoso, pois, se a força da violência física e psicológica
submetia corpos, suas idéias libertavam espíritos. Sua mensagem foi e é
tão transformadora, que milhares de cristãos foram perseguidos e
massacrados, até que o cristianismo se tornasse a religião oficial do
Império Romano e se espalhasse pelo mundo ocidental. A partir daí, e por
vários séculos, os perseguidos passaram a ser outros... Os cristãos que
fizeram isso foram diferentes dos que gritaram: “Crucifiquem-no!”?
Adilson Luiz Gonçalves – por correio eletrônico
Justificativa
“É caro? O
que é caro? Não sei o que é caro. Os gastos têm justificativa”, assim
falou o diretor da Secretaria de Orçamento e Finanças do Senado, Edval
Ferreira da Silva, ao justificar as despesas médicas da Casa em 2009.
Tem toda a razão o diretor do senado quando diz não saber o que é caro.
Somente quem recebe salários que seguem a lógica do mercado de trabalho
é que pode ter noção do caro e do barato. Senadores, funcionários e
diretores do senado não precisam ter nenhuma noção de caro, nem de
barato, porque a remuneração é privilegiada. O dinheiro entra fácil em
seus bolsos, e assim sendo, pode facilmente sair, sem nenhum compromisso
com a definição de caro e barato.
Wilson Gordon Parker - Nova Friburgo (RJ)
Privilégio
Tão seguro
está da impunidade e amoralidade que norteiam nossa política que o
deputado estadual por São Paulo Barros Munhoz (PSDB) não teve pêjo de
escancarar o que pensa sobre a questão dos privilégios para deputados
que ocuparam os cargos de presidente, primeiro e segundo secretário da
Mesa. Segundo ele, é brutal a diferença de estrutura de um gabinete
comum com os da Mesa Diretora, e zelando pelo “equilíbrio emocional” de
seus pares que poderiam sofrer com a perda de significativos
privilégios, ele defende que tal indecência se mantenha. Até porque
assim está a fazer defesa em causa própria já que hoje preside o
Legislativo paulista. Amanhã será ele a sofrer os ditos “brutais”
dissabores, precisa, pois, garantir suas benesses.
Mara Montezuma Assaf - São Paulo (SP)
Crise
Conta a
história que no ápice da crise de 1929, a quinta pessoa mais rica da
Alemanha cometeu suicídio ao se jogar na frente de um trem porque perdeu
mais de 1 bilhão de dólares com o crash. O fato que interessa é que o
suicida alemão tinha uma fortuna avaliada em mais de 9 bilhões de
dólares. Na verdade, em toda e qualquer tipo de crise existem os
alarmistas que se gabam por ter previsto que uma hora a bolha iria
estourar, os otimistas que dizem: - calma que logo tudo passará, os
prático-realistas que se preocupam em como sobreviver e quem sabe tirar
uma casquinha dessa confusão toda, e os loucos por notícias que ficam
desesperados e perdem a noção da realidade tamanha a enchente de
péssimas informações. Esses são os primeiros a sucumbir.
Paulo Araújo – Curitiba (PR)
Pedra
Grande parte da população brasileira conhece
aquelas pedrinhas que servem de calçamento em alguns pontos da cidade,
mais em frente a órgãos públicos. Interligadas por massa de cimento, são
comuns se desprenderem. Começa a deterioração sempre por uma. Pode até
demorar o surgimento da primeira pedra arrancada, mas daí em diante, com
muita rapidez o buraco de uma pedra se torna uma vastidão. Todas as
administrações deveriam ter equipes permanentes para taparem esses
buracos sem necessidade de concorrência pública. Criar mecanismos de
preservação. Com a reparação do dano no seu nascedouro, evitaria a
necessidade de se contratar uma empreiteira ou profissional para
restaurar a rua ou o prédio por inteiro. O cidadão ganharia porque o
teria sempre preservado e sem a necessidade de gastar milhões para a
recuperação total. Talvez seja a razão principal da pedrinha não ser
devolvida ao seu lugar. Empreiteira não repõe uma pedra. Pedras repostas
não permitem a devolução de percentual de licitação.
Pedro Cardoso da Costa – São Paulo (SP) |