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Meirelles alega que juros a um dígito é discussão “prematura”
O presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, considera que é muito cedo para dizer se é o momento da taxa básica
de juros ser reduzida a um dígito, isto é, que o índice nominal da Selic caia de
11,25% ao ano para menos de 10%. “É um pouco prematuro dizer, pois temos uma
conjugação de dois fatores, estruturais e conjunturais”.
Por fator estrutural, ele diz que é “a queda dos
prêmios de risco” e conjuntural, “a crise mundial, que leva a uma desaceleração
da atividade”.
Ante a crise originada nos Estados Unidos e que
jogou na recessão a quase totalidade dos chamados países ricos, os bancos
centrais das 40 maiores economias do mundo reduziram drasticamente as taxas de
juros. Nada menos que metade desse países está com taxa básica de juros reais
negativa (descontada a inflação). Mais oito países, com taxa de juros inferior a
1% ao ano.
No Brasil, a taxa básica real de juros está em
6,5% (descontada a inflação projetada de 4,5% para este ano), ao mesmo tempo em
que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria, segundo a
Fundação Getúlio Vargas (FGV), caiu para 77,7%, em março deste ano. O que
significa que a redução acelerada e significativa dos juros é essencial neste
momento para impulsionar a atividade produtiva e fortalecer o mercado interno,
questão fundamental para impedir a entrada da crise internacional em nosso
país.
Achar “prematuro” o patamar de um dígito para
taxa Selic significa dizer que o limite para a redução da taxa básica de juros é
de 1,25 ponto. Em outras palavras, Meirelles pretende manter o país como campeão
mundial dos juros altos, a melhor maneira para se atingir o desastre econômico
alardeado pelo boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC.
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