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Trabalhadores vão à Brasília em defesa do amianto seguro e dos 170 mil
empregos no setor
Milhares de trabalhadores do
setor do amianto crisotila participaram na sexta-feira (17) de uma
manifestação na Esplanada dos Ministérios em defesa da exploração e
comercialização de compostos de amianto – usados na produção de equipamentos
automobilísticos à base de fibras e na fabricação de telhas e caixas d’água.
Os trabalhadores questionam a
proibição do produto por alguns estados e defendem a manutenção da Lei
Federal 9.055, de 1995, que permite seu uso controlado.
O protesto, que marcou o Dia
Internacional da Solidariedade dos Trabalhadores do Amianto, foi promovido
pela Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA) e contou com o
apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias (CNTI), da
Contrathu (Confederação dos Trabalhadores de Turismo e Hospitalidade) das
centrais sindicais (CGTB, Nova Central, Força Sindical e UGT) e de
federações, sindicatos de diversas regiões brasileiras.
Segundo o vice-presidente da
CNTA e presidente da Federação Internacional dos Trabalhadores do Amianto
Crisotila, Adilson Conceição Santana, “a realidade do amianto crisotila hoje
é muito diferente do passado”.
Presente na manifestação, a
diretora para Assuntos Internacionais da CGTB, Maria Pimentel, afirmou que
os ataques ao amianto crisotila, que gera direta e indiretamente 170 mil
empregos no Brasil, são fruto do interesses de grupos internacionais em
colocar no Brasil um produto sintético. Os trabalhadores encaminharam sua
defesa ao presidente do Senado Federal e aos ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF), onde corre um processo que alega a inconstitucionalidade de
uma lei paulistana que proíbe o uso do amianto na construção civil.
Alguns dias antes, o ministro
Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, em caráter
liminar, a ação protocolada pela CNTI, que pedia a suspensão da lei. O
julgamento final não tem ainda data marcada.
Um estudo realizado pela
Fundação Getúlio Vargas (FGV) questiona a proibição do uso do amianto no
Brasil. Segundo a FGV, o banimento do produto pode causar um colapso no
fornecimento de telhas, que recobrem mais de 50% das moradias no país. O
estudo destaca ainda que não existe hoje nenhuma alternativa para substituir
o amianto, o que poderia levar a construção civil brasileira a uma
dependência externa. |