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A trajetória de ilegalidades de DD
A
trajetória de crimes do escroque – que pelo que se tem notícia iniciou na
época do governo Collor, quando se beneficiou de informações privilegiadas
às vésperas do confisco da poupança – foi turbinada com a chegada de
Fernando Henrique ao Planalto. Foi aí, ao se tornar o principal operador da
corriola tucana nas famigeradas “privatizações” da telefonia, valendo-se do
dinheiro dos fundos de pensão estatais, que se apropriou de uma parcela
considerável do patrimônio público.
Em 1998,
Daniel Dantas açambarcou a Telemig Celular e a Amazônia Celular, que reunia
a parte de telefonia celular das teles do Amazonas, Pará, Roraima e
Maranhão, além da Brasil Telecom, lote formado pelas teles do Distrito
Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso do
Sul, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia e Acre. Nos dois casos, assumindo o
controle por meio de “acordo acionário” montado pelo governo Fernando
Henrique, onde os fundos de pensão ficavam obrigados a se submeter ao
comando dele nos consórcios vencedores das leiloatas.
O
escândalo das gravações do BNDES, que veio à tona logo após, revelou
conversas telefônicas onde Mendonça de Barros (ex-ministro das
Comunicações), Persio Arida (ex-presidente do BC e ex-sócio de Dantas),
André Lara Resende (ex-presidente do BNDES), Ricardo Sérgio e o próprio
Fernando Henrique combinavam a entrega da Telemar – lote que reunia as teles
de 16 Estados – ao Opportunity e à Telecom Italia. Nos diálogos, Mendonça de
Barros pede que o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio (controlador do
fundo de pensão do banco, a Previ, além de conhecido arrecadador das
campanhas de José Serra e Fernando Henrique) banque o consórcio liderado
pelo Opportunity.
A certa
altura da conversa, Ricardo Sérgio diz que eles estão “no limite da
irresponsabilidade”, ao que Mendonça responde: “É isso aí, estamos juntos”.
Preocupado, Ricardo Sérgio completa: “Na hora que der merda, estamos juntos
desde o início”. A Telemar acabou nas mãos do grupo Jereissati, mas, ainda
assim, o governo impôs o Opportunity como sócio minoritário após o leilão.
Um outro
personagem também atuava nesse período: Gilmar Mendes, que como subchefe de
assuntos jurídicos da Casa Civil (1996 a 2000) e depois advogado-geral da
União ajudava com seus pareceres o governo privatista de FHC. Em 2002 foi
indicado por Fernando Henrique para o STF.
Além das
escandalosas privatizações, seu banco Opportunity é apontado por operações
milionárias de remessas ilegais de dinheiro para o exterior. Em julho do ano
passado, quando Dantas foi preso pela Polícia Federal por decisão do juiz da
6ª Vara Federal de São Paulo, Fausto De Sanctis, Mendes não titubeou em
passar por cima da segunda instância, o Tribunal Regional Federal (TRF) – e
da terceira – o Superior Tribunal de Justiça (STJ), para livrá-lo da cadeia
concedendo-lhe habeas corpus por duas vezes em menos de 24 horas. Como
apontaram alguns juristas, recorrendo a um expediente francamente ilegal e
inconstitucional.
Com
efeito, na tentativa de suborno ao delegado da Polícia Federal, o emissário
de Daniel Dantas diz que ele estaria preocupado com a primeira instância,
“uma vez que no STJ e no STF ele resolveria tudo” e que queria que o
delegado “livrasse três (do inquérito em curso), o Daniel, a irmã e o
filho”.
Também em
uma gravação colhida pela Operação Satiagraha, a irmã e sócia do banqueiro,
Verônica, aparece dizendo a alguém de nome Artur: “Precisa passar os
detalhes sobre a legislação para o Madeira, que é amigo do Gilmar (Mendes),
e isso pode parar na mão dele”. O advogado Luiz Carlos Madeira, um dos três
advogados de Dantas que à época foram ao STF pedir prioridade para o habeas
corpus do cliente, foi ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tendo
Gilmar Mendes como colega.
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