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Folha usou fraude de ex-torturadores contra Dilma
A
Folha de S. Paulo levou três semanas para se pronunciar sobre a “ficha policial”
falsificada da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, referente ao
período em que a sociedade brasileira se debatia contra o arbítrio e a
violência. Na matéria, publicada no último dia 5 de abril, o jornal informou ter
retirado a “ficha” sobre Dilma Rousseff dos arquivos do DOPS. Agora, teve que
admitir - de forma escamoteada - que o material não foi obtido no DOPS, tinha
chegado por e-mail.
A ministra
denunciou a farsa em uma carta enviada ao jornal onde escreveu: “Solicitei
formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem
respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa,
não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição
de 5.abril.2009”. A ministra sustentou que a ficha era uma fraude, como acabou
se confirmando. “Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do
ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (“terrorismo nunca
mais”), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca
respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que
fui submetida quando fui presa pela ditadura”, denunciou.
Diante dos
fatos apresentados pela ministra, a Folha anunciou que ia designar dois
repórteres para, segundo ela, “checar” as informações. E não deu outra. “Essa
ficha não existe no acervo”, disse o coordenador do arquivo do DPOS, Carlos de
Almeida Prado Bacellar. “Nem essa ficha nem nenhuma outra ficha de outra pessoa
com esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece”, prosseguiu Bacellar,
segundo reconheceu a própria Folha.
Além de
postergar o pronunciamento sobre o assunto, o jornal o fez de forma evasiva e
relutante. O desrespeito aos leitores foi tamanho que embora a ministra Dilma
tenha provado que a ficha “fornecida pelo antigo DOPS” era uma farsa grosseira,
a Folha disse que a autenticidade “pelas informações hoje disponíveis, não pode
ser assegurada - bem como não pode ser descartada”.
A repercussão
foi grande e o desgaste do jornal aumentou. Luis Nassif, por exemplo, lembrou em
seu blog, no último domingo, que esse tipo de comportamento da Folha “lembra a
matéria da Veja sobre as tais contas de autoridades brasileiras no exterior.
Dizia não poder garantir que eram verdadeiras, mas também não podiam garantir
que eram falsas. E aproveitava para ressaltar que Daniel Dantas tinha mais
munição na pistola”. Nassif criticou ainda que a Folha trata uma fraude óbvia
como se fosse um “erro técnico”.
O jornalista
Antonio Roberto Espinosa denuncia também que a ficha policial da ministra, que a
Folha informou ter retirado do DOPS foi, na verdade, “‘montada”’ no blog “‘do
coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, e que foi reproduzida
pelos blogs de ex-torturadores como o “Ternuma” e “A verdade sufocada”, de onde
chegou à Sucursal de Brasília deste jornal”.
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