A cassação de governadores

 Quando, graças aos préstimos de Fernando Henrique, que o nomeou, um chefe de capangas chega a presidente do Supremo, as coisas começam a ficar estranhas na cúpula da magistratura.

Não sabemos se a Paraíba ou o Maranhão estão pior ou melhor governados agora do que antes. O que é garantido é que as cassações dos governadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Jackson Lago (PDT-MA) foram uma cassação do voto do povo, contra a vontade do povo e sem outro fundamento objetivo que o de instalar no governo os que foram derrotados na eleição. Não cabe ao Tribunal Superior Eleitoral depor governadores que foram eleitos, como veremos, sem motivo para isso. Há mais seis governadores que serão julgados pelo TSE nos próximos meses - e, sobretudo, há uma eleição presidencial em 2010. Foi necessária uma revolução, a de 1930, para fundar a Justiça Eleitoral, exatamente com a função de garantir aquilo que Ruy Barbosa chamou “a verdade eleitoral”, isto é, a legitimidade das eleições, o fim das fraudes e da imposição de governantes contra a vontade do povo. Por isso, ela não pode se transformar num instrumento de desrespeito da vontade popular, de impor ao povo aqueles que não foram eleitos para governá-lo. Se isso acontecer, a que o povo poderá recorrer?

MOTIVO

O PSDB – que, no caso, entregou a cabeça de um correligionário na bandeja – não é nosso partido favorito, mas o que importa é a verdade. Vejamos o caso de Cássio Cunha Lima, reeleito governador da Paraíba nas últimas eleições: a acusação era a de que seu governo distribuiu 35 mil cheques durante a campanha eleitoral, sem que houvesse programa ou previsão orçamentária para isso.

O governador provou que existia o programa, denominado Ciranda de Serviços, e que este era muito anterior às eleições, com a devida previsão orçamentária. O governador provou que os 35 mil cheques – uma complementação de renda semelhante ao Bolsa-família – não foram entregues na campanha, mas ao longo de dois anos de governo. E também mostrou que havia duas leis em que se baseava o programa – uma delas, de 2002, sancionada pelo então governador José Maranhão, justamente o adversário de Cássio nas últimas eleições, e beneficiário da sua cassação.

No entanto, Cunha Lima foi cassado por uso promocional, eleitoreiro, do programa. Não foi porque este não existisse ou fosse ilegal ou fosse inventado para a campanha eleitoral. Simplesmente, reduzido todo o linguajar jurídico à sua essência, foi a existência do programa, apesar de legal, o motivo da cassação.

Por esse critério, qualquer governante que implantar um programa social poderia (ou poderá) ser cassado. Fazer alguma coisa pelo povo se tornaria, ou se tornou, crime eleitoral. Logo, quanto mais um governante se interessar em melhorar a vida dos governados, mais culpado ele será. Por consequência, deve ser cassado. Governante honesto será o que não fizer nada pelo povo – em suma, um tucano típico, coisa que o governador Cunha Lima realmente não era.

Vejamos agora o governador Jackson Lago: das 11 acusações, nove foram rejeitadas (dois ministros do TSE rejeitaram todas as 11). Nem conseguimos imaginar a fragilidade dessas outras acusações, considerando as duas que restaram, e pelas quais Lago foi cassado. A primeira: em abril de 2006, portanto seis meses antes do primeiro turno das eleições, Lago, que ainda não era oficialmente candidato ao governo, discursou numa solenidade pública, no aniversário da cidade de Codó. O discurso foi ouvido por 500 pessoas. Segunda acusação: em maio de 2006, portanto cinco meses antes do primeiro turno, Lago discursou na cidade de Pinheiro, no lançamento do Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão (Prodim), um programa do governo José Reinaldo Tavares. A essa reunião, compareceram 50 pessoas. A eleição foi ganha por Lago com quase cem mil votos de diferença.

Em resumo, o governador do Maranhão foi cassado por uso da máquina pública e este uso constituiu em haver discursado em duas cerimônias oficiais, quando não era ainda candidato, e sem que esses discursos tivessem qualquer influência no resultado da eleição.

CRITÉRIO

Certamente, amigo leitor, sabemos o que você está pensando: por esse critério, se a ministra Dilma for candidata... Pelo critério anterior, usado contra Cunha Lima, o presidente Lula somente não está cassado porque é preciso ter peito – ou, mais exatamente, ser maluco - para afrontar 80 milhões de pessoas expressando sua opinião, das mais heterodoxas formas, sobre tal doutrina jurídica e sobre os seus luminares. Mas, evidentemente, a questão é que isso é uma tentativa de impedir o presidente de exercer seu legítimo direito de fazer campanha pelos candidatos que bem lhe aprouver.

Portanto, não é à toa que o PSDB não fez nada para evitar a cassação de seu filiado Cássio Cunha Lima. Sacrificar Cássio, para eles, é o de menos.

Ressalte-se, mais uma vez: conjugada com essa doutrina que cassa quem teve mais votos, está a de empossar quem teve menos votos. No Brasil, o normal era estender aos governadores o princípio constitucional que trata da vacância dupla do cargo de presidente e vice-presidente: realizar uma nova eleição, direta, se a vacância ocorrer nos dois primeiros anos de mandato, ou indireta, se ocorrer nos dois últimos anos. Mas o TSE inovou com a doutrina de que a cassação do governador e do vice-governador não abre vacância de seus cargos, porque, com a anulação dos votos dos vencedores, os derrotados na eleição passam a ter mais de 50% dos votos válidos. Uma doutrina que faria Ruy Barbosa deixar o terreno do Direito para entrar num ringue.

CARLOS LOPES
 


Primeira Página

 

Página 2

BC projeta corte menor da Selic para subordinar Brasil à crise

 A retomada da indústria da defesa (OTHON LUIZ PINHEIRO DA SILVA)

Executiva Nacional do Partido Pátria Livre referenda comissões provisórias regionais

Câmara aprova salário mínimo de R$ 465,00

Pedido de intervenção no PA ‘é armação dos empregados de Dantas’, diz governadora

Volume de crédito aumenta puxado pelo bancos públicos

Expediente

Página 3

Satiagraha: delegado Saadi aponta os crimes de Dantas

A trajetória de ilegalidades de DD

Lula: medidas pelo consumo deram resultado

Dilma afirma que sua rotina não será alterada

Folha usou fraude de ex-torturadores contra Dilma

Joaquim Barbosa é parabenizado nas ruas

A cassação de governadores

Página 4

Conferência de Comunicação irá debater monopólio na mídia

Artistas e funcionários intensificam campanha contra a privatização do Teatro Municipal do Rio de Janeiro

STF Dantas Incorporation Ltd

Cartas

Página 5

Operários da construção civil param por aumento salarial

AGU irá cobrar as empresas que foram responsáveis por acidentes de trabalho

Servidores do Judiciário de SP param por 1 hora na quarta

Sindicatos da Baixada Santista e ministro Lupi debatem o fortalecimento da região

A lenda do Estado inchado 

Servidores de Juiz de Fora aprovam indicativo de greve

Página 6

Rafael Correa: “Nossa revolução é para que a Pátria seja de todos”

Compromisso é com o fim da miséria que insulta o país

Bandeiras e cartazes saúdam Bolívar e Correa na comemoração da vitória

Venda a rodo de remédio para gripe sem eficácia comprovada enche o bolso de Donald Rumsfeld

Coreanos celebram os 77 anos do Exército Popular

Presidente do Paraguai adverte que nada servirá de pretexto para impedir as mudanças

Página 7

Plano da GM é fechar 14 fábricas e demitir 23 mil trabalhadores

A vitória do CNA e a campanha midiática contra Jacob Zuma

Partido Baas: “ataques aos civis no Iraque é parte de plano do invasor”

Iraquianos exigem o fim da ocupação criminosa durante enterro de vítimas de ataque americano

Pentágono terá de divulgar fotos de torturas e abusos no Iraque, Afeganistão e Guantánamo

Gestos que impressionam

Página 8

O ataque à Telebrás e a destruição da indústria de telecomunicações do país 

Leia

‘V. Exa. não está falando com os seus capangas do Mato Grosso’

Lula reduz o superávit primário e libera mais R$ 38 bi para investir

“País deve se basear na força do mercado interno”, afirma Lula

Empresas nacionais repelem portaria que estimula importação de máquinas usadas

BC usa “previsões” para frear queda da taxa básica de juros

Revolta contra os cupins financeiros conflagra Londres

Centrais querem mais emprego e menos juro para impedir tsunami de invadir nossa praia

Remessas ao exterior mantêm a escalada e vão a US$ 2,6 bilhões

Bancos propõem corte na renda da caderneta de poupança em prol do achaque ao Erário

Múltis drenam do país US$ 3,266 bilhões só em dez dias de março

Vale demite, reduz salários e distribui R$ 5 bi a acionistas

Sob pressão, BC recua juro outro pontinho e meio

Aumento do IDE agrava sangria de recursos do Brasil para fora

Desnacionalização e gestão temerária sufocam a Embraer

Solução para a Embraer é voltar a ser do Estado

Febraban diz que reduz spread se a União pagar conta de inadimplentes

“Decisão do governo é não emprestar a quem desemprega”, diz Lula

Lula: “Eles cultivam o ódio dos de cima contra os de baixo” 

BC assalta 80 bi das reservas para ajudar bancos em Wall Street

Juros e pilantragem de múltis fazem produção industrial encolher 19%

Repatriamento de capital por múltis ameaça as contas externas do Brasil

Juro alto do BC é o fundamento do spread aloprado

Conselheiros do CDES pedem a antecipação da reunião do Copom

Meirelles recua debaixo de vara e reduz os juros em um pontinho

Centrais fecham com Lula ofensiva contra os juros, demissões e redução dos salários

Fiesp abre guerra contra os salários dos trabalhadores

BB paga R$ 4 bilhões para Votorantim ficar com o controle do BV

Juros e alarmismo midiático freiam a produção industrial

 Israel testa Obama com chacina contra palestinos em Gaza

Para Lula, juros têm que cair no começo de 2009

Para nababos da Vale, povo duro é a melhor receita contra a crise

“Toma o beijo da despedida, seu cachorro!”

Meirelles afronta o Brasil e não reduz taxa de juros para jogar país na crise

Alencar mantém BC sob pressão: “esses juros são anomalia”

Lula a Meirelles: “juro está além daquilo que o bom senso indica”

Montadoras almoçam os R$ 8 bi do crédito e mantêm ameaça de demitir trabalhadores

Meirelles diz que não aceita baixar juro para priorizar crescimento

Juro alto dissipa 29% da renda disponível no país, afirma Ipea

Procurador avalia que há provas para Daniel Dantas pegar um ano a mais que Al Capone

“Gasto público que precisa ser cortado é o juro”, diz Ipea

Meirelles quer que Brasil traia o compromisso com G-20 sobre redução do juro

China põe R$ 1 trilhão na infra-estrutura para crescer 9% em 2009

EUA responde à crise votando em massa na mudança

Fusão de Unibanco com Itaú torna mais anti-social sistema financeiro privado

Banqueiros põem o compulsório no bolso e dão uma banana ao crédito

Greve da Polícia Civil cresce e responde a Serra nas ruas de SP

Eleições em S. Paulo opõem integridade de Marta à dissimulação indecorosa de Kassab

Governador trai promessa e dá ordem para PM atacar policiais

Marta sobe porque é Lula. Kassab cai porque é oposição

Retratação de Gabeira reafirma preconceito contra “suburbanos”

Inauguração da P-51 é resposta do Brasil à crise

Eleições dão vitória aos aliados de Lula em todas as regiões

Lula pede a S. Paulo que vote em Marta: “temos as mesmas idéias e projetos”

Veto popular assusta republicanos e trava bailout de US$ 700 bi a especulador falido

Economia na mão de especuladores levou EUA à crise, diz Lula

Para Serra, Kassab é leal. Alckmin, não

Lula mobiliza PF para fechar nossa fronteira a terroristas da Bolívia

Kassab usa Ama para passar verba pública aos grupos privados

Com inflação em queda, BC eleva juro para afundar o Brasil em 2009

Comando do Exército desmente Jobim: “a maleta da Abin não serve para escutas”

Maleta não faz grampo, apenas a varredura, diz técnico da Abin

Quadrilha pró-Dantas acusa Abin de gravar seu truta no Supremo

Trabalhadores se unem e dão apoio unânime à Marta

China desbanca EUA da liderança olímpica

Tucanos vão ao STF para derrubar o piso salarial de professor

Magistrados armam barraco no Supremo

Lula convoca UNE a deflagrar campanha do ‘Pré-sal é Nosso!’

Kassab responsabiliza Alckmin por atrofia do Metrô-SP e vice-versa

BC faz do Brasil último peru com farofa em mesa de especulador, diz Delfim Netto

Alckmin tira o corpo fora e põe na conta de Serra o desastre da Linha 4 do Metrô

BC manipula previsão de crescimento para forçá-lo a despencar