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Conferência de
Comunicação irá debater monopólio na mídia
O evento,
que será realizado nos dias 1, 2 e 3 de dezembro, deverá discutir ainda a
elaboração de uma nova lei para regulamentar o setor
Portaria editada pelo Ministério das
Comunicações constituiu a Comissão Organizadora da I Conferência Nacional de
Comunicação (Confecom), que será realizada nos dias 1, 2 e 3 de dezembro. Sob o
tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era
digital”, a Conferência foi convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
através de decreto, e vai debater, entre outros, temas como o monopólio nas
comunicações.
A Comissão será formada por 28 membros, sendo 12
do poder público, com oito indicados pelo Executivo Federal e quatro pelo
Congresso Nacional, e 16 da sociedade. Ao longo do ano, serão realizados debates
por todo o país através de conferências municipais e estaduais.
A composição da Comissão Organizadora
estabelecida pelo Ministério das Comunicações recebeu críticas de entidades da
sociedade civil, como o Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) e o
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que participam da
comissão. Enquanto representantes dos donos de jornais, revistas e canais de TV
contam com mais de uma entidade na comissão, apenas uma central sindical, a CUT,
foi convidada.
“Para além da proposta final não ter sido
dialogada com a CNPC (Comissão Nacional Pró Conferência), o governo apresentou
uma proporção entre os setores que coloca movimentos sociais, entidades de
trabalhadores(as) e organizações da sociedade civil em clara sub-representação.
Uma proposta que contém 12 representantes do poder público, 8 representantes dos
empresários, 7 representantes do segmento não empresarial da sociedade civil e 1
representante da mídia pública está longe de ser equilibrada, e está em
desacordo com a proporção adotada em outras conferências, como a Conferência
Nacional de Saúde”, afirma o Intervozes.
O problema básico é que as duas entidades
“empresariais” que representam as TVs têm basicamenter a mesma composição e o
mesmo acontece com as três que representam a mídia impressa. Assim, as TVs
comerciais estão duplamente representadas e os jornais e revistas, triplamente
representados. Entidades que se colocam como representantes dos movimentos
sociais pedem que a representação seja mais equilibrada com a inclusão de mais
entidades populares: “Esses grupos [entidades de TVs e jornais] possuem grande
poder econômico e político, mas representam, proporcionalmente, um percentual
ínfimo na sociedade brasileira”.
Os ministros das Comunicações, Hélio Costa; da
Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci; e da Secretaria de Comunicação
Social, Franklin Martins, afirmaram que o governo federal considera natural a
discussão de temas como o monopólio no setor de comunicações ou a necessidade de
um nova lei geral.
“Todos os assuntos podem ser abordados. O
governo não tem preferência e quer uma discussão aberta, democrática e ampla”,
afirmou Hélio Costa.
Duas questões deverão dominar os debates quanto
à democratização da comunicação no Brasil. Por um lado, o nível de concentração
da mídia deixa a informação à mercê dos interesses de um pequeno grupo, por
outro, a entrega do setor de telecomunicações ao capital estrangeiro abriu
espaço para que, hoje, os grandes conglomerados internacionais dominem, ao
arrepio da lei, os setores de TV a cabo e transmissão de dados (internet).
“Nos anos 1990, cerca de nove grupos de empresas
familiares controlavam a grande mídia. As famílias eram Abravanel (SBT), Bloch
(Manchete), Civita (Abril), Frias (Folhas), Levy (Gazeta), Marinho (Globo),
Mesquita (O Estado de S.Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil) e Saad (Band).
Hoje esse número está reduzido a cinco. As famílias Bloch, Levy, Nascimento
Brito e Mesquita já não exercem mais o controle sobre seus antigos veículos”,
assinala Venicio A. de Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia
e Política da UnB, no artigo “Em defesa da propriedade cruzada”, publicado pelo
Observatório da Imprensa.
Atualmente,
as teles estrangeiras NET (Telmex/AT&T) e TVA (Telefônica/Morgan-Chase),
juntamente com a SKY (Murdoch), dominam 88% do mercado da TV por assinatura, e
boa parte das conexões de internet. |