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STF Dantas
Incorporation Ltd
LAERTE BRAGA*
As provas de corrupção ativa e passiva
praticadas pelo ministro presidente do STF DANTAS INCORPORATION LTD são
públicas, notórias e remontam ao tempo que Gilmar Mendes exercia as funções de
Advogado Geral da União no descalabro chamado governo de Fernando Henrique
Cardoso.
A reação do ministro Joaquim Barbosa à forma
atrabiliária e desmoralizante como Gilmar conduz a suposta suprema corte foi a
explosão de quem sentiu na pele, tem sentido, as ações criminosas e o
comprometimento de Gilmar Mendes com a corrupção.
“Vossa excelência não está falando com seus
capangas no Mato Grosso”.
A nota subscrita por oito ministros em apoio ao
modo como Gilmar Mendes conduz a empresa de Daniel Dantas no poder dito
judiciário é um exercício maior que a simples subserviência, ou a preocupação de
envolver a tal suprema corte num escândalo que implique em desacreditar de vez o
desacreditado poder judiciário.
O ministro Erros Grau, por exemplo, quando
advogado em Porto Alegre, uma semana antes de ter seu nome indicado para o
supremo pelo atual presidente, emitiu um parecer público e cuidadosamente
elaborado definindo como inconstitucional o desconto previdenciário dos salários
de aposentados e pensionistas. Virou ministro e ao votar a matéria votou contra
seu próprio parecer. Parece ter sido, parece não, foi a condição imposta pelo
governo para indicar seu nome.
É fato ilustrativo do seu caráter. Foi um dos
que assinou a nota de “solidariedade” ao truculento e corrupto Gilmar Mendes.
O ministro Marco Aurélio Mello, sem favor algum
um dos juristas da tal suprema corte, é autor da sentença que absolveu um
latifundiário por prática de sexo com menor de 12 anos sob alegação que a menina
tinha conhecimento e consciência do fato e além do mais sua mãe havia sido a
intermediária na “negociação” com o fazendeiro.
Marco Aurélio Mello é vizinho do banqueiro
Salvatore Cacciolla no Rio de Janeiro e foi quem deu ao banqueiro o habeas
corpus que lhe permitiu fugir para a Itália (o banqueiro tem dupla nacionalidade
e foi preso por um descuido, pois saiu da Itália para ir jogar nos cassinos de
Mônaco).
Significa que aquele dispositivo da Constituição
que fala que os ministros do STF devem ser “maiores de trinta e cinco anos e ter
reputação ilibada e notável saber jurídico” foi para as calendas. Marco Aurélio
tem notável saber jurídico, mas a reputação...
A história do STF não registra um momento tão
negativo e tão pobre como o atual. É o cúmulo da esculhambação uma figura
desprovida de respeito pelo quer que seja, corrupto e venal como Gilmar Mendes
presidir aquilo que chamam de corte suprema.
Tem razão o ministro Joaquim Barbosa quando
afirma que Gilmar “está destruindo a credibilidade da justiça”.
A nota de solidariedade dos oito ministros a
Gilmar Mendes deve ter passado pelo crivo do espelho – é claro que cada um deve
ter seu espelho – e os rabos não são suficientemente livres. Ou nem são livres
como o de Gilmar.
É preciso entender que o papel cumprido por
Gilmar Mendes transcende à corrupção, à forma truculenta com que age e conduz o
STF. A corrupção aí é conseqüência do modelo e não é causa. E tampouco Gilmar
Mendes, como anteriormente Nelson Jobim, foram indicados ministros do STF por
reputação ilibada e notável saber jurídico. O foram exatamente por não terem
esses preceitos parte de um ou de outro em suas atividades públicas.
Dalmo Dallari de Abreu, jurista de nomeada e
respeitado em todo o País, à época da indicação do nome de Gilmar Mendes
(governo FHC) afirmou claramente que estavam achincalhando a corte dita suprema.
A descaracterização do STF começa na ditadura
militar. Era preciso dobrar a corte ao arbítrio e à barbárie do regime dos
generais. Quatro ministros reagiam à violência do regime. Ribeiro Costa, Hermes
Lima, Evandro Lins e Silva e Vítor Nunes Leal. Ribeiro da Costa aposentou-se
normalmente os outros três foram cassados pelo AI-5. Era fundamental tornar a
tal suprema corte dócil à ditadura.
E mesmo assim os generais tiveram problemas e
dificuldades com ministros íntegros como Adauto Lúcio Cardoso e Bilac Pinto. O
conceito de ministros técnicos, sem compromisso político no sentido amplo da
palavra apenas serviu para esconder ministros sem personalidade, prontos a
atender à qualquer ordem de sentido, ordinário e marche dos militares.
O tempo da tortura, dos assassinatos,
seqüestros, estupros com aval da justiça em sua instância máxima.
A chamada redemocratização não mudou a natureza
do STF. A nova ordem econômica trouxe a necessidade de manter ministros
“técnicos” ou políticos como Jobim, que se constituíssem em instrumentos do
processo de privatização do patrimônio público e das chamadas reformas
neoliberais, dentre elas o desconto previdenciário nos contracheques de
aposentados e pensionistas. O tal que Eros Grau achava inconstitucional e assim
que virou ministro passou a achar constitucional.
Um dos maiores escândalos, pouco divulgado pela
grande mídia, podre, corrompida e parte do modelo, foi o discurso de posse de
Nelson Jobim. “Vim a esta corte para ser aqui o líder do governo”. Foi lá,
explicitamente, para barrar toda e qualquer tentativa de anular as ilicitudes do
processo de privatização posto em prática no governo FHC. Juízes de instâncias
inferiores como Salete Macalóes foram trucidadas – resistiu e resiste com
bravura até hoje – por não se curvarem ao regime das propinas para a venda do
Brasil.
Toda a teia neoliberal montada no governo FHC
necessitava de “garantias” já que em 2000 o governo dispunha de informações que
dificilmente o então candidato do PT, o atual presidente Luís Inácio Lula da
Silva, seria vencido e um eventual governo Lula colocava em risco a estrutura
neoliberal e a adesão do País ao modelo em crise a tal globalização.
Essa teia estendeu-se a todo o aparelho
institucional. Desde o Congresso e até ao Judiciário, como, na criação de
agências autônomas em setores estratégicos para os donos do Brasil. Empresários,
latifundiários e banqueiros.
E Gilmar Mendes foi indicado para cumprir o
papel de garantir que nada mudasse, que o modelo permanecesse em sua essência.
Na prática a transformação do STF em STF DANTAS INCORPORATION LTD. Basta
entender Daniel Dantas como símbolo e síntese do modelo político e econômico.
Quando a revista VEJA – a editora ABRIL que
edita a publicação foi beneficiada por José Serra com um contrato milionário de
assinaturas de revistas para garantir o apoio eleitoral em 2010. O jornalista
Luís Nassif em seu blog denuncia:
“As bondades para 2010” (20/4). O texto afirma
que foi dada a largada para o “pacote de bondades que já vinha ajudando o caixa
da Abril. Agora é a vez da Folha e do Estado. Os jornalões paulistas vão ganhar
cabeças e corações em todas as escolas paulistas já que a Secretaria [estadual
da Educação] vai fazer 5.449 assinaturas dos dois periódicos”.
Registre-se que o secretário de Educação de
Serra é o ex-ministro de FHC Paulo Renato e uma de suas “missões” é privatizar
as universidades públicas estaduais em São Paulo.
Gilmar Mendes se insere aí. Em todo esse
arcabouço legal/imoral que busca manter o modelo político e econômico.
A corrupção e a impunidade é como que “prêmio”
pela capacidade de bem servir aos donos do País. Cinco ministros do STF DANTAS
INCORPORATION LTD trabalham para Gilmar Mendes no Instituto de Direito Público,
sediado em Brasília, que mantém convênios ilegais com o governo federal, com o
governo da cidade de Diamantino onde Gilmar tem negócios e seu irmão foi
prefeito (recentemente Gilmar Mendes esteve na cidade para “convencer” os
vereadores a cassar o atual prefeito e foi cassado, por contrariar os interesses
de seu grupo e seus negócios).
Os ministros Eros Grau, Marco Aurélio Mello,
Carlos Ayres Brito, Menezes Direito e Carmem Lúcia são funcionários do Instituto
de Direito Público propriedade de Gilmar Mendes, portanto, assalariados do
presidente da STF DANTAS INCORPORATION LTD.
A nota de solidariedade a Gilmar já nasce
desqualificada por aí. Prestam serviços ao ministro presidente.
O que o ministro Joaquim Barbosa fez foi tocar o
dedo na ferida, a credibilidade da Justiça, abalada e em processo de absoluta e
total desmoralização desde que Gilmar resolveu assumir seu lado bandido no caso
Daniel Dantas.
Falou-se numa gravação feita pela equipe do
delegado Protógenes Queiroz no gabinete do presidente da “empresa” dita corte
suprema. VEJA fez um escândalo em torno do assunto e hoje se sabe que a tal
gravação é uma farsa, não existe, a revista apenas cumpriu seu papel em todo
esse cipoal neoliberal montado no governo FHC e com o objetivo de desqualificar
o delegado e o juiz De Sanctis. Por ironia os processados são os dois e por
terem a mania de exercer suas funções com dignidade.
Gilmar não sabe o que é isso. Em linguagem de
advogados seria chamado tranquilamente de chicaneiro. Aquele advogado de porta
de cadeia que fica à espera dos infelizes presos e aceita relógios, sapatos,
cordões, como pagamento para defesas fajutas.
O ministro Joaquim Barbosa recebeu, é fácil
constatar isso, solidariedade da imensa e esmagadora maioria dos brasileiros,
fato que pode ser visto nos comentários em vários portais e sites da rede
mundial de computadores. Uma explosão de apoio que reflete a indignação diante
da ação predadora e corrupta de Gilmar Mendes.
Há que se fazer mais. Bem mais que ser solidário
a Joaquim Barbosa. Há que se representar contra Gilmar Mendes e forçar a
apuração de suas atividades e dos seus negócios. Isso não vai significar abalo
nenhum para o processo democrático. Pelo contrário. Vai abrir perspectivas para
que o STF DANTAS INCORPORATION LTD volte a ser SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Essa rede não vai ser mostrada no JORNAL
NACIONAL, nem em VEJA, nem em FOLHA DE SÃO PAULO, pelo contrário. Joaquim
Barbosa corre o risco de vir a ser crucificado, ou pressionado a aceitar as
“regras” do jogo. O jogo é sórdido e a corrupção, por mais incrível que possa
parecer, é detalhe. Por detrás de tudo isso, Gilmar Mendes, passagens de
deputados e senadores utilizadas por parentes, amigos, namoradas, etc, toda essa
podridão é apenas um disfarce que permite que o modelo FIESP/DASLU seja mantido.
E o esforço dessa gente é um só. Contam com a
mídia. Desde Arnaldo Jabor e seus comentários remunerados – a mulher é
funcionária do tucanato –, a Miriam Leitão – bancária (rs) – recebe de
banqueiros (deixe os bancários saber disso), às mentiras de William Bonner, a
todo o conjunto da grande mídia, mesmo os pequenos da grande, caso da REDE
BANDEIRANTES.
O institucional está falido. Não é só a justiça.
E os “lutadores do povo”, expressão de César Benjamin, têm a tarefa da
resistência do contrário daqui a pouco vão estar dizendo que jacaré é tartaruga
e passando a escritura definitiva do Brasil na hipótese de um deles, José Serra
vir a ser o presidente da República.
Gilmar é o cara da hora na bandidagem. E foi
isso que a reação indignada do ministro Joaquim Barbosa mostrou. A nota de
solidariedade ao presidente da STF DANTAS INCORPORATION veio dos seus
empregados. Aí não vale, é coação.
*Laerte Braga é
jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário
Mercantil. |