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Operários da construção civil param por aumento
salarial
Milhares de trabalhadores participaram da
manifestação na Zona Sul de São Paulo
Com 80% dos canteiros de obras paulistanos
paralisados e 20 mil trabalhadores concentrados
na Praça Gentil Falcão, Zona Sul da Capital
paulista, o Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP)
colocou nas ruas a mobilização para “pôr um fim
à indiferença patronal que vem sendo verificada
nas negociações da Convenção Coletiva de
Trabalho”, como disse o presidente do sindicato,
Antonio de Sousa Ramalho.
A
manifestação iniciou desde 6 horas, quando os
trabalhadores se concentraram em três grupos, na
Marginal Pinheiros, avenida Chedid Jafet e na
praça General Gentil Falcão. Ao final da manhã,
a concentração foi realizada na praça General
Gentil Falcão. Após assembleia, a manifestação
paralisou a ponte Estaiada da Marginal.
As
principais reivindicações da categoria são, além
da reposição das perdas salariais com base na
inflação dos últimos 12 meses, um aumento real
de 5,5%, participação nos lucros e resultados
das empresas, vale refeição no valor de R$ 20
(hoje é R$ 10,50), e ampliação da cesta básica.
“Nossa reivindicação ocorre num momento de
oportunidades”, argumentou Ramalho. Segundo ele,
“juntas, as centrais sindicais garantiram que o
governo baixasse os juros para o setor,
aumentasse o orçamento do PAC entre outras
medidas que evitaram maiores impactos da crise”.
O
setor de construção civil é um dos setores menos
abalados pelo suspensão do crédito feito pelos
bancos privados. Recebeu e segue recebendo
atenção do governo para manter o ritmo de
crescimento e de geração de emprego.
Segundo o Fórum Nacional de Secretários de
Habitação e Desenvolvimento Urbano (FNSHDU),
entre 2003 e novembro de 2008, o governo federal
investiu R$ 94,8 bilhões no setor de habitação.
Mais de 40 itens de materiais de construção
foram desonerados no período.
Dos R$ 503 bilhões do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), maior parte será investida em
projetos de infra-estrutura. O que se soma ao
programa “Minha Casa, Minha Vida”, recentemente
lançado pelo governo, que planeja construir 1
milhão de casas populares com um investimento
estimado de R$ 60 bilhões.
“O
setor já se livrou dessa crise”, afirmou Antonio
Ramalho. Na sua avaliação, a demissão de 105 mil
trabalhadores da construção civil ocorridas no
Brasil no último período se deveu a oportunismo
das construtoras, “com o objetivo de demitir e
readmitir com salário menor”.
De
acordo com o presidente do Sintracon-SP, de 200
mil a 300 mil vagas podem ser abertas quando
começarem a ser executadas obras ligadas ao
programa “Minha Casa, Minha Vida”. Ele ressaltou
que ainda existem empreendimentos previstos no
país que poderão gerar emprego, como os
investimentos de infra-estrutura estimados na
preparação do país para a Copa de 2014.
Até mesmo Paulo Safady, presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic),
avaliou no final do ano passado ser “bem viável”
que o setor tenha crescimento real de 5% em
2009.
Além do aumento nos salários, os trabalhadores
reivindicam jornada de trabalho de 40 horas. A
paralisação de 24 horas “foi uma greve de
advertência e, se até 9 de maio, não tivermos o
atendimento às nossas reivindicações ou uma
proposta que agrade à maioria, vamos parar por
tempo indeterminado a partir do dia 11. Até lá,
manteremos as mobilizações e assembléias da
categoria”, informou Ramalho.
De
acordo com o Sindicato, cerca de 850 mil pessoas
trabalham no setor em todo o estado, 300 mil só
na capital paulista. |