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Plano da GM é fechar 14
fábricas e demitir 23 mil trabalhadores
A General Motors remendou seu “plano de sobrevivência” a pedido da Casa
Branca mas manteve sua essência: demissões, arrocho dos salários; rapinagem
do seguro-saúde e do fundo de pensão, e desmonte de 42% da rede de revendas
A pouco
mais de 30 dias do prazo limite dado pelo governo Obama, a ex-maior
montadora do mundo, General Motors, remendou seu “plano de sobrevivência”,
mas manteve sua essência: a demissão de 23 mil trabalhadores, fechamento de
14 fábricas, arrocho dos salários e rapinagem do seguro-saúde e do fundo de
pensão e desmonte de quase metade da rede de revenda. Com seu “valor de
mercado” chegando ao fundo do precipício, US$ 1,5 bilhão, a GM propôs que os
mais de US$ 15 bilhões que o governo já despejou, e mais os pelo menos US$
11 bilhões imprescindíveis já, sejam transformados em 50% do controle
acionário, enquanto o Sindicato dos Trabalhadores das montadoras, em função
da dívida de US$ 20 bilhões do seguro-saúde, ficaria com outros 39%. O capo
da GM garante que o governo Obama não pretende se meter “no dia a dia” dos
negócios da montadora. A GM também comunicou o fechamento da divisão Pontiac,
que existia desde 1926.
DESMONTE
O desmonte
da rede de revenda também é bem maior do que o do plano anterior, 42% contra
25%. Note-se, ainda, que é uma “reestruturação” movida a arrocho salarial.
Congressistas republicanos e arautos da mídia insistiram em que o problema
da GM era os altos salários, com seus trabalhadores recebendo US$ 70/hora,
enquanto os das montadoras japonesas instaladas no país só recebiam US$
45/hora. Para chegar a essa diferença toda, o que esses arautos faziam era
somar o custo do pagamento da jornada de trabalho com o pagamento de
aposentadorias e com o seguro-saúde. O que, conforme analisou um
sindicalista canadense, é como somar “laranjas com maçãs”.
Segundo a
“Dow Jones”, os “custos trabalhistas”, graças às medidas propostas,
entenda-se, o arrocho, demissões e fechamento de fábricas, serão reduzidos
de US$ 7,6 bilhões no ano passado, para US$ 5 bilhões em 2010. Aliás, antes
mesmo da crise atual explodir, as Três de Detroit já vinham fazendo de tudo
para arrochar seus trabalhadores. Em 2007, houve a primeira greve na GM
desde os anos 70, para obrigar a empresa a respeitar o seguro-saúde, que era
bancado em parte pelas contribuições dos seus trabalhadores, e constituía
direito– inclusive pago – pelos seus aposentados. O Sindicado aceitou acordo
em que a GM fechou a sua estrutura de seguro-saúde, a ser substituída por
outra sob responsabilidade do Sindicato, e à qual a GM teria de ressarcir
com US$ 30 bilhões em dinheiro e US$ 1,4 bilhão em ações. Esse valor já era
em torno da metade do valor devido, mais depois isso mudou para US$ 20
bilhões em dinheiro, e agora, a metade ao longo de muitos anos, com US$ 300
milhões ao ano por enquanto, e se fizer bom tempo. A outra metade, em ações
da GM quase sem valor. A situação do fundo de pensão também é crítica. No
plano anterior, a GM chegou a admitir que o fundo de pensão está quebrado, e
numa previsão otimista disse que ali por “2013 ou 2014” iria precisar de uma
robusta injeção de recursos públicos.
O arrocho
– e o dinheiro público – também são a mola-mestra do plano de
“reestruturação” da Chrysler, à beira da data fatal de 30 de abril. Com suas
ações mais desvalorizadas do que as da GM, a Chrysler anunciou, após muita
chantagem, um acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Montadoras, em
que “pagará” em ações a metade dos US$ 8 bilhões que deve ao seguro-saúde
dos seus empregados. Já a parte em dinheiro, propriamente dita, ficará
também como na GM, a perder de vista, e se a compra, pela Fiat, sair. Também
foram cortados o pagamento das horas-extras e reajustes salariais. A
financeira da GM, que pertence à Cerberus, fundo que comprou da Daimler
alemã, com respaldo do JP Morgan Chase, a Chrysler de volta, poderá vir a
comprar a financeira da Chrysler. Naturalmente, com apoio do dinheiro do
bail out. A propósito, a Daimler acabou de liquidar os 20% que ainda detinha
do controle da Chrysler, que agora é 100% da Cerberus.
ANTONIO
PIMENTA |