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A
vitória do CNA e a campanha midiática contra Jacob Zuma
A ampla
vitória do Congresso Nacional Africano (CNA) na eleição realizada na África do
Sul no dia 22 - a 4ª vitória consecutiva nos últimos 15 anos - deixou aqui
setores da mídia inconformados com a decisão dos sul-africanos, que deram 65,9%
dos votos e 264 das 400 cadeiras da Assembléia Nacional ao partido de Nelson
Mandela, presidido por Jacob Zuma, desde 2007 e que deverá ser designado
presidente do país quando o novo legislativo for empossado em 6 de maio.
Apelaram até
para bobagens sobre o fato de que Zuma, que é zulu, ter três mulheres – poderia
até ter cinco -, como mandam os costumes da etnia. Os zulus, que ao lado dos
shosa (como Mandela), constituem as duas principais etnias sul-africanas,
tornaram-se uma lenda por terem enfrentado no século XIX os invasores ingleses.
Seu prestígio fez, inclusive, com que o regime do apartheid tenha tentado, e
fracassado, fabricar um “partido zulu” linha-auxiliar, buscando dividir a luta
contra os racistas.
Zuma esteve no
cárcere junto a Mandela por dez anos e depois se tornou o comandante das
operações clandestinas do CNA no período decisivo da derrocada do apartheid e,
na eleição, recebeu o apoio do CNA, da central sindical Cosatu e do PC
sul-africano.
No afã de
fazerem reparos à vitória do CNA, andaram vendo um “partido único” onde há o
grande partido da vitória sobre o apartheid. Até ressuscitaram o De Klerk, o
síndico da massa falida do regime racista, e que nos anos 90 teve de libertar
Mandela e aceitar a vitória do CNA e da maioria. O mais engraçado é que De Klerk
estava mais progressista que o repórter que o entrevistou, e disse que as coisas
“avançaram muito” na África do Sul.
A propósito, a
Aliança Democrática, a sucessora do Partido Nacional que dirigiu o apartheid,
obteve 16% dos votos. Em terceiro, o recém criado Congresso do Povo, com 7,42%.
E há mais partidos. Mas o que anda preocupando, realmente, essa gente é a
possibilidade de que o CNA – e Zuma - dêem uma caprichada na constituição, que
ainda é a do acordo para encerrar o apartheid, e realizem uns avanços por lá,
valendo-se da enxurrada de votos que colheram.
A.P.
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