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Amorim denuncia ganância e arbitrariedade da Merck
“É um
obstáculo ao comércio, em que a ganância toma o lugar de vidas humanas, é uma
coisa muito, muito grave. Foi um gesto unilateral, arbitrário e muito difícil de
entender”, afirmou em Davos, Suíça, o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, sobre a retenção de uma carga do medicamento genérico Losartan no porto
de Roterdã, na Holanda, no final de janeiro. O medicamento, produzido na Índia,
havia sido importado pela farmacêutica nacional EMS.
A carga de
Losartan - medicamento destinado à hipertensão - foi retida na Holanda a pedido
da Merck Sharp & Dohme. A transnacional detém a patente do medicamento no país
europeu, porém, tanto no Brasil como na Índia, a patente não é reconhecida e o
produto pode ser importado livremente, dentro da legislação sanitária aplicável.
“O que
ocorreu é um absurdo total, as alfândegas exerceram um poder de polícia para o
qual não estão tituladas, tentaram legitimar isso na OMS (Organização Mundial de
Saúde) e não conseguiram, fizeram unilateralmente. É um lamentável exemplo não
só para o comércio internacional, mas para a solidariedade mundial. (Os produtos
retidos) eram remédios”, completou o ministro.
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