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Atlético-PR apostou em medalhões
Élcio Paiola
Há quatro décadas, jogador de futebol que atingia 35 anos
de idade era tido como acabado por “ene” razões.
Contusões nos joelhos, fraturas nas pernas e
seqüência de contusões musculares encurtavam as
carreiras dos boleiros. Paradoxalmente, na
contramão da filosofia dos clubes da época, o
Atlético (PR) decidiu montar em 1968 um time de
medalhões, de jogadores que haviam rompido a
barreira dos 35 anos.
A mudança de postura dos dirigentes deu-se após a queda da
equipe à segunda divisão do futebol paranaense
em 1967, com o conseqüente retorno no ano
seguinte. E, para “encorpar” a equipe, os
dirigentes apostaram em veteranos como o
lateral-direito Djalma Santos, zagueiro Belini,
ponteiro-direito Dorval e o atacante Zé Roberto,
que atuaram numa equipe formada por Célio;
Djalma Santos, Belini, Charrão e Nico; Paulinho
e Madureira; Gildo (Dorval), Nair (Nilton Dias),
Zé Roberto e Nilson. Gildo foi aquele
ponteiro-direito do Palmeiras nos tempos de
“academia”, em 1965. O volante Zequinha, outro
ex-palmeirense, era reserva no time atleticano.
E Nilton Dias morreu em dezembro de 2006.
DJALMA SANTOS
Djalma Santos, que neste 27 de fevereiro vai completar 80
anos de idade, foi um exemplo de longevidade no
futebol. Se já não tinha espaço no Palmeiras em
1968, o Furação fez questão de apostar em sua
experiência, e se deu bem. Jogou até 43 anos de
idade, deslocado para a zaga central no lugar de
Belini, que havia abandonado o futebol.
Claro que no biênio 1969/69 ambos atuaram juntos no time
paranaense, revivendo os tempos de Seleção
Brasileira, com o título mundial na Suécia em
1958. Belini, que havia sido marginalizado no
São Paulo, encerrou a carreira aos 37 anos de
idade.
Quanto a Dorval Rodrigues, quando foi jogar no Paraná já
não era aquele ponteiro velocista e compensava
com habilidade e cruzamentos cheio de efeito.
Ele integrou no Santos o famoso quinteto
ofensivo formado por Dorval, Mengálvio,
Coutinho, Pelé e Pepe, de meados dos anos 60. Na
época, o time peixeiro conquistou o bicampeonato
mundial. Dorval ainda jogou no Racing Club, da
Argentina, em 1964. Agora, em 26 de fevereiro,
vai completar 74 anos de idade.
PROBLEMÁTICOS
Antigamente, dirigentes se encorajavam em contratações de
jogadores problemáticos, desde que decidissem
partidas. E o atacante Zé Roberto, do São Paulo,
tinha esse perfil. Gostava da noite, era
mulherengo, e nem sempre respeitava as normas de
concentração. No entanto, quando a bola rolava
em partidas oficiais, se transformava. Magro e
alto, tinha um aproveitamento fantástico no jogo
aéreo. Em 1968 marcou 40 gols pelo Atlético
(PR), ano em que o time começou a integrar o
Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, com a
participação de 15 clubes: cinco de São Paulo,
cinco do Rio de Janeiro, dois do Rio Grande do
Sul, dois de Minas Gerais e um do Paraná. Na
época, Portuguesa (SP) e América (RJ) tinham
status de clube grande. Posteriormente, antes da
denominação de Campeonato Nacional em 1971,
Santa Cruz, de Pernambuco; Bahia e Ceará
integraram a competição. E o Atlético (PR)
conquistou o título de 2001.
O Robertão teve início em 1967. Antes dele, a única
competição nacional de clubes era a Taça Brasil
(hoje Taça do Brasil), que reunia os campeões
estaduais em jogos eliminatórios. Também fazia
muito sucesso o Torneio Rio-São Paulo.
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