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Antistalinista
reclama do horror e da crueldade dos antistalinistas
O articulista da Folha de São Paulo Marcelo
Coelho, depois de acender velas ao antistalinismo e dizer que “grande parte da
esquerda não quis ver as barbaridades cometidas por Stalin” no texto Os
doutores do Pessimismo, de 21.01.2009, passa a reclamar dos colegas
“pensadores trágicos e jornalistas sombrios”, que “mais do que denunciar” o que
ele também imagina que deva ser denunciado, “gostam de destruir as esperanças” e
“vão-se transformando em algo próximo do fascínio”: “Você se choca com as
crianças mortas em Gaza? Ouço um risinho: os militares israelenses entendem mais
do problema que você”.
Segundo ele, “parece existir uma competição
nas páginas dos jornais e da internet para ver quem conseguirá ser” o que chama
de “o mais ‘durão’ e o mais desencantado”. E, como se pode deduzir do seu
texto, também o mais violento: “Há diferenças notáveis de atitude e de opinião
entre pessoas como Luis Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, Demétrio Magnolli
ou Reinaldo Azevedo. Mas é um time e tanto, e minha experiência pessoal com a
violência do ser humano, adquirida nos pátios do ginásio, é suficiente para não
querer polemizar com alguns deles”.
Marcelo reclama que “a crítica ao stalinismo
se compraz em tornar stalinista quem se afaste um milímetro das opiniões de quem
a professa” e que “será chamado de ingênuo ou nostálgico todo aquele que quiser
algo melhor do que o mundo em que se vive”. E exemplifica a posição dos
antistalinistas: “O mundo é horrível e a realidade é cruel. É um ingênuo quem
quiser mudar essa situação. O horror e a crueldade fazem parte da paisagem.
Melhor assim, quem sabe: nós, pelo menos, tiramos disso a satisfação de não
sermos ingênuos”. Cansado de ouvir “um risinho: que otário”, ironiza esse
suposto realismo: “Todo o poder aos poderosos, toda realidade aos realistas, e
todas as bombas para quem ficar no meio do caminho. Eis o resumo da atitude dos
‘durões’. Mas quem precisa de articulistas num mundo desses? Os militares dão
conta do recado.”
Verdade que Marcelo, apesar de perceber-se
desconfortável em tal meio, não rompe com ele. Se rompesse, poderia estar certo
de uma coisa: os que reconhecem em Stalin um líder fundamental na história da
humanidade são um bocado amplos e costumam estar de braços abertos para todos
aqueles que, independentemente da posição ideológica, desejam de fato um país
democrático, soberano e desenvolvido, e um mundo não voltado para a rapinagem
financeira e as guerras. Os antistalinistas ele já conhece, novas amizades não
fazem mal a ninguém.
S.S. |