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Ex-guarda de Guantánamo
detalha crimes cometidos no campo de concentração
O soldado norte-americano Brandon Neely, que serviu por
seis meses em Guantánamo, decidiu levar a público as barbaridades que viu e
que participou na prisão dos EUA localizada em território cubano.
Brandon, que começou a trabalhar em Guantánamo em janeiro
de 2002, revelou ao público aquilo que denominou de uma série de “violações
dos direitos humanos” cometidas pelo Exército: a chegada dos detentos em
jaulas, abuso sexual cometido por médicos, variados tipos de torturas,
espancamentos brutais que deixavam o chão encharcado de sangue, desrespeito
às práticas religiosas (fazer o detento comer carne de porco ou assistirem
profanações do corão), detenção de crianças. Ele também presenciou a
primeira greve de fome no local.
“As coisa que eu fiz e as coisas que eu vi eram
simplesmente erradas”, disse à Associated Press.
O relato de Brandon, com mais de 15 mil palavras,
detalhando as torturas, foi compilado pela Universidade da Califórnia no
projeto “Testemunhos de Guantá-namo”. Outros guardas também tiveram seus
depoimentos compilados.
Um deles, Sean Baker, descreveu em uma entrevista ao
programa “60 Minu-tes” da rede CBS como foi agredido por outros soldados e
teve de ser hospitalizado em um treinamento em janeiro de 2006 no qual ele
vestiu uma roupa laranja para interpretar o papel de um detento. Terry C.
Holdbrooks Jr. afirmou em uma entrevista ao site ‘Cage Prisioners’ que viu
diversos abusos em Guantánamo em 2003, incluindo deten-tos sujeitos ao frio
e colocados em locais com música extremamente alta.
Ao se pronunciar sobre o relato de Neely, o Pentágono
tergiversou: “Nossa política é tratar os detentos humanamente”, afirmou
Jeffrey Gordon, um porta-voz do Pentágono.
Neely afirmou que ele mesmo chegou a tomar parte em abusos
como pegar um detento mais velho e pressionar seu rosto contra o cimento.
Ele é atualmente o presidente em Houston da organização ‘Veteranos contra a
Guerra’.
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