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Geninho
Élcio Paiola
Um dirigente de um
tradicional clube brasileiro, “bombardeado” de perguntas sobre nome e perfil do
treinador pretendido, subestimou a capacidade de avaliação de jornalistas e
lascou: “Estamos trazendo o Eugênio Machado Souto para o comando técnico. Ele é
um profissional que vocês não conhecem, mas tem tudo para ser bem sucedido
aqui”.
Você, caro leitor,
vai continuar curioso em relação ao nome do dirigente e seu respectivo clube.
Por questões óbvias a fonte, neste caso, deve ser preservada. O fato ocorreu na
década de 90 e a ficha da “reportaiada” só caiu minutos depois, quando um outro
dirigente daquele clube entrou na sala de imprensa acompanhado do técnico
Geninho, cujo nome de registro é Eugênio Machado Souto, nascido no dia 15 de
maio de 1948.
Pois é, Geninho
entrou no time dos “sessentões” sem aparentar a idade. São 43 anos ligados
diretamente ao futebol.
GOLEIRO
Natural de Ribeirão Preto, interior de São
Paulo, sua história no futebol começou como goleiro das categorias de base do
Botafogo local, aos 17 anos de idade, quando ganhou oportunidade na equipe
principal e se firmou. Ele integrou aquela escola de goleiros que raramente
tomava “frangos”. Pegava, basicamente, as chamadas bolas defensáveis, e uma das
boas bases foi na Francana (SP), em 1979, quando disputou o Campeonato
Brasileiro da época, inchado com 94 clubes.
Ainda “rodou” por
equipes do interior paulista e do Rio Grande do Sul, casos de Caxias e Novo
Hamburgo, onde encerrou a carreira de jogador em 1984, migrando, incontinenti, à
função de treinador, já sem o vasto bigode.
A dádiva da oratória
faz de Geninho um dos técnicos preferidos dos repórteres para entrevistas. Mesmo
em derrotas acachapantes não perde a compostura, e jamais responde as perguntas
monossilabicamente. A rigor, costuma dar subsídios para comentaristas de futebol
que mal conseguem observar o óbvio, ao alongar nas avaliações pós jogo.
Evidente que exagera
quem o rotula de estrategista. É justo, no entanto, que se reconheça sua virtude
em focar o grupo no objetivo de brigar por boa pontuação nos campeonatos que
disputa, tanto que surpreendentemente chegou ao título do Campeonato Brasileiro
de 2001, comandando o Atlético (PR).
Habilmente Geninho
faz seu marketing no site www.geninho.net, que criou, onde relata títulos
estaduais como treinador do Goiás e Corinthians, além do Brasileiro da Série B
com o Paraná Clube e na passagem pelo Al Shabab Club, da Arábia Saudita. O
estilo bonachão é bem recebido pela boleirada. Por vezes, um ou outro jogador
confunde a metodologia e relaxa no trabalho.
Lógico que seria um
contra-senso Geninho lembrar, em seu canal de comunicação, tropeços doídos como
a goleada por 8 a 2 para o Corinthians, quando comandava o Guarani em 1997, no
Campeonato Paulista.
INSÔNIA
De certo, Geninho
também teve insônia quando caiu para a segunda divisão do Campeonato Paulista
com a Ponte Preta e União São João de Araras, em 1995 e 1999, respectivamente.
Na Ponte, naquela ocasião, comandou um time de medalhões como o lateral-direito
Zelão e os meio-campistas Macalé e Careca, que vieram do Cruzeiro; além do
atacante Gaúcho, que havia passado por Flamengo e Palmeiras.
Geninho aprendeu com
a desgraça, deu a volta por cima e comandou grandes clubes do eixo Rio-São
Paulo-Minas. E, em 2009, continua no Atlético (PR). |