|
Empresários
defendem imediata queda de juros pelo crescimento
“É algo que
atrapalha todos os setores”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da
Indústria de Base e Infraestrutura (Abdib), Paulo Godoy, criticando a política
de juros altos do BC
O encontro entre representantes empresariais, o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, e os presidentes do Banco Central e do BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Henrique Meirelles e
Luciano Coutinho, respectivamente, realizado nesta quarta-feira (7), em
Brasília, serviu para que os setores produtivos reiterassem a necessidade da
imediata redução da taxa de juros, para que o país possa enfrentar os efeitos da
crise iniciada nos EUA.
Após a reunião no Ministério da Fazenda, o
presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base e Infraestrutura (Abdib),
Paulo Godoy, afirmou que houve unanimidade nas exposições dos empresários sobre
a urgência na redução da taxa Selic – estabelecida pelo Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central – e do custo do dinheiro no país. “É algo que
atrapalha todos os setores”, disse.
Segundo Godoy, os empresários apresentaram uma
radiografia dos setores, defendendo a adoção de medidas para aumentar a oferta
de crédito e pediram mais investimentos na área de infraestrutura e a
desoneração total dos investimentos no Brasil.
Em dezembro, ele pregou a necessidade de se
caminhar rapidamente para uma redução dos juros e do custo do dinheiro de forma
geral “pois, sem isso, podemos estar impondo uma recessão maior do que o país
poderia ter em um ambiente de crise internacional”. “Acho que ficou claro hoje
que o governo está mobilizado para minimizar os efeitos da crise”, afirmou.
“Todos os setores têm demandas de redução do
custo do dinheiro. Precisamos reduzir não só os juros básicos, mas
principalmente o spread bancário e também o Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF)”, ressaltou o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
José de Freitas Mascarenhas.
Para o presidente da Associação Brasileira da
Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, as vendas do
setor poderiam ser incentivadas pelo governo, por meio da desoneração do imposto
de renda, IPI e PIS/Cofins durante um período de seis meses. As indústrias
pagariam esses impostos após o período, em 24 vezes sem juros.
Ao sair da reunião, o dirigente da Abimaq disse
ter presenciado um “milagre” durante o encontro. Aubert Neto relatou que o
presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Márcio Cypriano, que
também é presidente do Bradesco, pediu a Henrique Meirelles que antecipasse a
reunião do Copom para reduzir os juros antes do previsto. “Aconteceu um milagre.
O próprio representante dos bancos pedindo uma antecipação da reunião do Copom
para baixar a taxa Selic”, observou.
Além de empresários dos setores produtivo e
financeiro, estavam representados no encontro também os setores de automóveis,
autopeças, siderurgia, alimentos, construção civil e varejo.
De acordo com o presidente da Câmara Brasileira
da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, o governo anunciará em
breve um programa de investimentos da ordem de R$ 350 bilhões na construção de
moradias para famílias com renda de até cinco salários mínimos a ser implantado
nos próximos 15 anos. Serão 9 milhões de novas moradias no período.
“Esse é um grande programa que o Brasil
precisava para atender famílias que ganham até cinco salários mínimos. Vai vir
com uma série de novidades, como subsídios, desoneração do produto final,
cadastro positivo, cartório e desburocratização”, assinalou.
Ele destacou que só este ano, o governo pretende
viabilizar a construção de 300 mil unidades além das que já estão em andamento,
utilizando recursos do Orçamento da União, do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS), do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da receita de
concessões públicas. |