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Conservadorismo do BC provocou a queda da produção industrial, diz Iedi
Avaliando a queda de 5,2% na produção industrial
em novembro ante outubro, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi) aponta duas causas básicas para o resultado: a restrição
de crédito e a passividade do Banco Central para minimizar os impactos sobre
o crédito e sobre os efeitos da crise internacional.
Para o Iedi, é preciso esclarecer essas causas a
fim de que se tomem medidas “para conter a tendência descendente da
economia”. Primeiramente, “é preciso observar que a restrição do crédito que
se abateu sobre a economia brasileira foi dramática, seja pela escassez de
financiamento externo, seja também pelo enorme conservadorismo com que as
instituições financiadoras internas (exceção para o BNDES) repercutiram a
crise externa. O Banco Central não atuou bem em minimizar esses impactos
sobre o crédito, limitando-se a ampliar a liquidez do sistema bancário como
se isso bastasse para reativar o crédito”.
Em segundo lugar, diz o Iedi, “as expectativas
dos agentes internos, investidores e consumidores com acesso ao crédito,
acusaram um verdadeiro colapso, em parte porque a política monetária e
cambial foi passiva diante dos efeitos internos da crise internacional”. Por
isso, é preciso “reduzir rapidamente a taxa básica de juros, atuar para
neutralizar a instabilidade do mercado de câmbio motivada por ondas
especulativas, reafirmar ou mesmo potencializar os investimentos públicos e
garantir os recursos de longo prazo com que as agências de fomento contam
para financiar os investimentos privados”.
“Medidas mais diretas e mais arrojadas, nos
moldes em que os bancos centrais de outros países vêm realizando, são
requeridas para reabastecer a economia de seu financiamento corrente”,
afirma o Instituto. Como é sabido, esses bancos centrais vêm reduzindo suas
taxas de maneira acentuada, principalmente a partir da segunda quinzena de
setembro do ano passado. Apenas o Banco Central brasileiro insiste em manter
taxa de juros reais em níveis siderais. Atualmente, nada menos que 23 das 40
maiores economias têm taxa de juros reais negativas. No Brasil, a taxa real
básica, estabelecida por Meirelles e sua trupe, está em 8% ao ano. Ou seja,
é necessária uma imediata e expressiva redução da taxa Selic.
VALDO ALBUQUERQUE |