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Laudo da Criminalística
apontou a não paralisação das obras como principal fator para tragédia:
na véspera já havia indícios de que o túnel poderia ruir
Consórcio afunda metrô e só funcionários são indiciados
Omissão do governo de São Paulo e empresas do Via Amarela ficaram de
fora do processo
O Ministério Público de São Paulo apresentou à
Justiça denúncia de homicídio culposo (sem intenção de matar) contra
cinco funcionários do Metrô paulista e oito do Consórcio Via Amarela,
pelo desabamento da futura Estação Pinheiros da Linha 4 – Amarela,
ocorrido em 12 de janeiro de 2007. Nessa data, uma cratera de 80 metros
de diâmetros e 30 metros de profundidade engoliu quatro caminhões, dois
carros e uma van. Como resultado, sete mortes e 230 pessoas
desabrigadas.
A poucos dias de a tragédia completar dois anos,
a denúncia aponta que se desconsiderou a incompatibilidade entre o
projeto e a execução da obra, que não havia supervisionamento, que não
foi feita nenhuma adaptação do projeto à realidade revelada durante a
escavação, entre outras falhas ou omissões do gênero. Contudo, foi
dirigida contra algumas arraias-miúdas e os verdadeiros responsáveis
pela obra – portanto, pela tragédia – sequer foram mencionados.
Acontece que nenhum dos acusados é responsável
por esse contrato, muito menos pela política implantada em São Paulo,
que está na origem do problema: o desmonte do Estado, iniciado com o
Plano Estadual de Desestatização (PED) em 1996. O contrato para a
construção da Linha 4 foi assinado durante a gestão de Geraldo Alckmin
(PSDB). O também tucano José Serra o sucedeu no governo e não rompeu o
contrato; não interrompeu as obras mesmo sabendo que já havia ocorrido
uma série de acidentes, inclusive fatais, indício de que uma tragédia
estava a caminho; e depois do desastre sequer se permitiu dar alguma
explicação para as famílias das vítimas e para o conjunto da população,
muito menos se apressou a investigar as causas do desastre.
Familiares de vítimas da cratera na Estação
Pinheiros estão céticos quanto à denúncia do Ministério Público. “O
ideal seria que os donos das empreiteiras [do Consórcio Via Amarela]
respondessem por alguma coisa”, afirmou o bancário Elenildo Adriano, 43
anos, tio do cobrador do micro-ônibus Wescley Adriano da Silva, 22 anos,
morto no acidente. Para ele, a sensação é de frustração. “Dois anos se
passaram e ninguém nos procurou para nos dar uma satisfação. O Consórcio
age como se o ressarcimento financeiro da família resolvesse toda a
situação. Mas não é bem assim. Um menino não vai ter o pai para vê-lo
crescer e ninguém pode repor isso”, referindo-se a Cauã, filho de
Wescley, que nasceu um mês depois da morte do pai.
O laudo do Instituto de Criminalística (IC) de
São Paulo, de agosto do ano passado, apontou que o fator preponderante
foi a não paralisação das obras, uma vez que na véspera do acidente já
havia indícios que o canteiro poderia ruir. Agora, nenhum peixe “graúdo”
foi responsabilizado. Não foi à toa que, apesar do criminoso acidente, o
Consórcio Via Amarela se sentiu no direito de solicitar um aditamento de
R$ 180 milhões do governo estadual, dos quais os tucanos liberam de
imediato R$ 92 milhões.
A técnica de construção e a segurança sempre
foram a marca registrada nas obras da Companhia do Metropolitano de São
Paulo. Até que os tucanos resolveram privatizar a Linha 4, saltando aos
olhos a omissão, a negligência e a ganância, tanto do governo do Estado
quanto do Consórcio Via Amarela. |