"Unidos somos imbatíveis.
Nenhuma redução de salários. Nenhuma redução de
direitos. Demitiu, parou!". Esta é a orientação
da direção da Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil (CGTB) para os seus sindicatos filiados
que estiverem sendo chantageados em suas bases
por empresários que ameaçam demitir ou reduzir
direitos.
De acordo com o presidente
da CGTB, Antonio Neto, esta será a resposta da
entidade a qualquer tipo intimidação, uma vez
que não há justificativa, na maioria dos casos,
para que ocorram demissões. O dirigente afirmou
que "foram os setores monopolistas que atuam no
Brasil os primeiros a tentar criar um clima de
negatividade a fim de diminuir a sua produção
para manter os lucros em patamares elevados.
Como foi possível observar no final do ano, já
ocorreu uma recuperação no setor automotivo, que
fechou o ano com vendas acima de 11%, o comércio
obteve um crescimento próximo de 6% sobre o ano
de 2007, o melhor ano de vendas que já tivemos
recentemente. Portanto, estamos atentos, vamos
monitorar os setores e observar os que realmente
podem estar com algum tipo de dificuldade".
O documento da CGTB cita
como um dos principais exemplos o caso da Vale
do Rio Doce, que "recebeu R$ 7,3 bilhões do
BNDES e foi uma das primeiras a demitir e a
propor a suspensão dos contratos de trabalho e
redução do salários. As montadoras levaram R$ 8
bilhões de crédito estatal e deram férias
coletivas, antesala das demissões, para 66% da
força de trabalho do setor. Outros grupos
procuram enveredar pelo mesmo caminho".
"Em busca do lucro máximo
e fácil, usam a crise que provocaram para
açambarcar mais dinheiro do Estado e aumentar a
exploração dos trabalhadores. Essa receita
sem-vergonha, formalizada no Consenso de
Washington, no início da década de 90, provocou
a maior crise mundial desde os anos 30. O
chamado neoliberalismo, isto é, a liberdade de
ação dos monopólios, deu no que deu: devastação
da economia mundial", alertou a nota da Central.
Para a direção da CGTB,
"esse caminho de arrochar os salários e reduzir
os direitos está esgotado e desmoralizado.
Agora, a palavra está com os trabalhadores, com
os empresários honestos e com os governos
democráticos. Hoje o consenso é o consenso do
desenvolvimento baseado no mercado interno, é o
consenso do Estado como promotor desse
desenvolvimento, é o consenso da distribuição de
renda e da ampliação dos direitos".
De acordo com o documento,
nos últimos seis anos de governo Lula "o nosso
caminho, que tirou o país da estagnação, é o do
investimento no mercado interno, é o da
recuperação do salário mínimo, como o aumento de
11,89% a partir de 1º de fevereiro, é o da
construção no Brasil das plataformas da
Petrobrás, enfim, é o da geração de empregos com
carteira assinada".
O documento propõe ainda
ao "governo a agir com firmeza contra os
monopólios que recebem dinheiros públicos e
ameaçam salários e direitos". "As Centrais estão
unidas em uma ação conjunta contra a chantagem
dos monopólios, pela redução dos juros, em
defesa do desenvolvimento, da ampliação do
mercado interno, da ampliação dos direitos e do
aumento dos salários", sublinhou.