Renault aumenta vendas em 56% e suspende contratos e direitos de 30% dos funcionários

As medidas anunciadas pelo governo que garantiram um crescimento extremamente positivo para o setor automotivo (14,15% no acumulado de 2008), entre elas a redução do IPI, a liberação de linhas de crédito e outras benesses, não foram suficientes para aplacar a fome da montadora francesa Renault, que esta semana anunciou a suspensão, por cinco meses, dos contratos e de parte dos direitos trabalhistas de mil trabalhadores.

O anúncio pegou de surpresa até mesmo o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, que recentemente divulgou o crescimento na venda dos automóveis. "Eu posso até dizer a vocês, que está muito melhor do que a gente podia imaginar há 90 dias. Nós fomos pegos de surpresa", diz Sérgio Reze.

E não podia ser diferente, pois beneficiadas com as ações do governo, as montadoras estrangeiras aumentaram as vendas em 11,54% no mês de dezembro de 2008 com relação a novembro, quando negociaram-se 345.447 unidades contra 309.712 do mês anterior. No acumulado de 2008, foram negociadas 4.849.497 unidades, contra 4.248.275 do mesmo período do ano anterior, com expansão de 14,15%. Ocupando a quinta colocação, a Renault comercializou 115.157 veículos. A Renault foi montadora que obteve maior crescimento de vendas em 2008, de 56,4%.

No entanto, a chantagem de demissão garantiu à empresa um acordo com o sindicato do setor que lhe possibilita manter 30% de seus funcionários longe das linhas de montagem por um período de cinco meses, período em que seus salários serão bancados com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), por meio do seguro-desemprego. Neste tempo, a transnacional fica livre do pagamento das obrigações previdenciárias, pagando apenas uma ajuda compensatória, sem natureza salarial, que manterá um padrão salarial semelhante, a contagem do tempo para o 13º salário e para as férias. Acabando o tempo, retoma-se as "negociações", onde certamente será proposto a demissão ou a redução de salários, de mais benefícios e conquistas.

Este mecanismo que permite às empresas a suspensão do contrato de trabalho temporariamente foi um contrabando imposto em 1999, durante o governo Fernando Henrique. Por permitir abusos e se constituir num prato cheio para as chantagens das grandes empresas, que reduzem seus custos e se apossam de mais um instrumento para colocar a faca no pescoço do trabalhador, que as centrais sindicais e o Ministério do Trabalho discutem as mudanças nas regras ou a extinção desta norma.

A Renault é um exemplo de como se comportam os grupos transnacionais em nosso país. Além de receber benefícios da ordem de US$ 1,8 bilhão para se instalar no estado do Paraná no governo Jayme Lerner, a empresa francesa ainda recebeu incentivos fiscais e isenção de ICMS por dez anos, ganhou um terreno de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, energia elétrica e água gratuitamente, além de, recentemente, ser beneficiada com a redução de IPI.

Neste período, a empresa ampliou sobremaneira sua participação no mercado nacional de veículos, remetendo grande parte dos lucros para sua matriz.


Primeira Página

 

Página 2

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BNDES modifica regras para incrementar financiamentos

Expediente

Página 3

Ação do BC provoca queda de 5,2% na produção industrial

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Página 4

Consórcio afunda metrô e só funcionários são indiciados

Fiscalização da obra é feita pelas próprias construtoras

Os 13 técnicos que foram denunciados pelo MP

Governo tinha conhecimento dos riscos um ano antes da tragédia

Aécio Neves volta de férias e critica os prefeitos de Minas por enchentes

CARTAS

Página 5

CGTB: trabalhadores recorrerão à greve para barrar demissões 

Lupi quer alterar regras para inibir suspensão temporária de contratos

Trabalhadores brasileiros repudiam barbárie contra o povo palestino 

Renault aumenta vendas em 56% e suspende contratos e direitos de 30% dos funcionários

Zezé, ponta-esquerda nato 

Protesto contra a agressão: turcos expulsam a sapatadas time de basquete israelense 

Página 6

Denúncias da fraude de Madoff foram ignoradas por nove anos

Agências acobertam risco dos monopólios que as financiam

Relator da ONU denuncia: “Ataque de Israel é crime contra a Humanidade”

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Veja justifica genocídio em Gaza

Página 7

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Página 8

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