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Rússia anuncia a retomada do fornecimento
de gás à Europa
A União Européia (UE), depois de uma longa conversa entre o
primeiro ministro Vladimir Putin e a chanceler alemã Angela Merkel, chegou a
um acordo com a Rússia e a Ucrânia para enviar monitores a esses países e
vistoriar o fornecimento de gás natural para a Europa, anunciou na
quarta-feira, dia 7, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão
Barroso.
DESVIO
O governo russo tinha exigido, algumas horas, antes que
Kiev parasse com o desvio ilegal de gás como condição de regularizar a
interrupção executada pela empresa estatal Gazprom.
O contrato de venda de gás russo para a Ucrânia venceu no
1° de janeiro passado e não foi ainda renovado devido a desacordo sobre
novas condições. Putin informou que a Gazprom propôs o preço de 250 dólares
por cada mil metros cúbicos de gás, mas o governo do pró-americano Viktor
Iushenko não aceitou.
Em 2008, a Ucrânia pagou à Rússia 179,5 dólares por mil
metros cúbicos, enquanto que o preço vigente desse combustível no mercado
europeu equivale a 418 dólares por mil metros cúbicos, já depois da
diminuição que houve recentemente nas cotações dos hidrocarbonetos.
Mesmo depois da dissolução da União Soviética, a Rússia e a
Ucrânia mantiveram uma estreita relação comercial. Entre as principais
manifestações disso estava uma forma de subvenção à economia ucraniana
através da transferência do gás natural e do petróleo russos, a preços
efetivamente menores que os praticados no mercado internacional. Nos últimos
anos, quando se fortaleceu no Kremlin uma política de recuperação dos
recursos naturais e de desenvolvimento mais independente, o governo dos
Estados Unidos buscou plantar governos fantoches a seu serviço nas
fronteiras de Rússia. A Ucrânia foi um dos primeiros ensaios realizados
pelos EUA, neste sentido.
Sucederam-se provocações por parte de Iushenko e seus
aliados contra a Rússia, como as ameaças de se integrar na Otan, que
erodiram o entendimento que havia entre os dois países. Diante das
hostilidades, o governo russo decidiu reduzir o nível de subsídio à economia
do país vizinho.
A partir do 1° de janeiro, a Gazprom suspendeu o
fornecimento de gás destinado a Ucrânia, mas continuou o trânsito desse
combustível pelos gasodutos que passam por esse com destino à Europa, só
interrompido quando se descobriu o desvio do mesmo por parte dos
ucranianos.
GASODUTOS
A Rússia é o pricipal produtor de gás natural do mundo e o
fornecedor de um quarto do gás que usa a União Européia e do 40% que importa
o bloco. 80% desse gás passa pelos gasodutos da Ucrânia.
“A Gazprom buscará rotas alternativas. Estão sendo feitas
entregas extras através da Bielorússia e da Turquia”, disse o presidente
executivo da estatal, Alexei Miller, acrescentando que “não vamos permitir
chantagem que certamente não tem origem na Ucrânia e sim em interesses
imperialistas contra nosso país”. |