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Israel foi avisado que
escola de Gaza era abrigo civil, diz a ONU
O exército israelense bombardeou escola da ONU de Jabalia, em Gaza, matando
42 palestinos – dos quais, muitas crianças e mulheres. O prédio estava
marcado com bandeira da ONU e as coordenadas de sua localização haviam sido
passadas a Israel
A autoridade da ONU responsável pela escola bombardeada
pelo exército israelense em Gaza, em que foram mortos 42 palestinos – dos
quais, muitas crianças - e feridos mais 55, John Ging, afirmou que ela
estava claramente
marcada com uma bandeira da ONU e que sua exata localização havia sido
previamente informada ao invasor. Centenas de pessoas haviam procurado
abrigo na escola Al Fakura, da ONU, no campo de refugiados de Jabalia, após
serem expulsas de suas casas pelos soldados israelenses. Outras operações de
terror de Estado de Israel contra a população de Gaza elevaram o número de
palestinos mortos em 12 dias de invasão para 702, e mais 3.100 feridos; há
chacinas por toda parte.
FILEIRA
Na quarta-feira, dia 7, uma multidão acompanhou o
funeral das vítimas da escola Al Fakura; apenas uma família, os Dib, sofreu
dez mortos. Na descrição do “New York Times”, “os corpos das crianças que
morreram na escola das Nações Unidas jaziam em uma longa fileira sobre o
chão. Algumas estavam envoltas na vívida bandeira verde do Hamas, algumas em
mortalhas brancas, e outras na bandeira amarela do Fatah”. O massacre
ampliou a indignação no mundo inteiro contra a agressão israelense e isolou
ainda mais o já muito isolado regime nazista de Tel Aviv. 15 dos 55 feridos
da escola da ONU estão em estado crítico.
Ging, diretor de operações em Gaza da agência de
proteção aos refugiados da ONU (UNRWA, na sigla em inglês) afirmou que a
escola foi atingida por três disparos israelenses, e confirmou que o
exército de Israel recebeu as coordenadas geográficas exatas de cada
instalação da ONU em Gaza. O exército de Israel também estava ciente de que
a escola fica em uma área densamente povoada, enfatizou Ging. “É óbvio que
seria inteiramente inevitável que se projéteis de artilharia atingissem a
área haveria um elevado número de baixas”.
Como em massacres anteriores, Israel tentou
cinicamente justificar seu crime de guerra contra civis abrigados em uma
instalação da ONU em Jabalia, alegando que teria “respondido” a disparo
feito de lá por dois milicianos do Hamas. O que foi desmentido por Ging:
“não havia qualquer ativista ou atividade militar dentro da escola”. O
representante da ONU pediu uma investigação internacional independente sobre
a chacina. A matança em Jabalia não foi a única. Na escola Asma da ONU, no
campo de refugiados de Shati, três membros da família Al Sultan foram mortos
por disparo israelense. Um centro médico da ONU de Gaza foi também atingido,
com sete funcionários e três pacientes feridos. Não havia qualquer combate
nas imediações. E isso tudo em menos de 24 horas. Mas ainda que houvesse um
ou dois milicianos na escola, nem mesmo isso justificaria, de acordo com as
convenções de guerra de Genebra, os canhonaços contra um abrigo de centenas
de civis.
A chacina da escola Al Fakura remete a outros crimes
de guerra cometidos por Israel em seus assaltos à terra alheia. Para não ir
tão longe no tempo – Deir Iassin ou Sabra e Shatila -, vamos registrar que
foi exatamente o que foi feito em outros dois assaltos de Israel ao sul do
Líbano. Em 1996, o exército de Israel massacrou 106 pessoas que estavam
abrigadas em uma instalação da ONU em Qana e feriu mais 116. Na fracassada
invasão de 2006, nova chacina em Qana, com 56 civis mortos – 32 eram
crianças; um posto de monitoramento da força de paz da ONU foi arrasado.
ANTONIO PIMENTA |