Centrais levam a Lula proposta de baixar juros e defender salários

Presidente da República garantiu aos sindicalistas que o governo tomará todas as medidas para estimular o crédito, o emprego e a produção

Em reunião com dirigentes das seis centrais sindicais do país na última segunda-feira, dia 19, o presidente Lula afirmou que apesar das medidas tomadas pelo governo no final do ano passado, o problema principal que está afetando o setor industrial ainda é a escassez do crédito, provocada, sobretudo, pelo juro alto praticado no país. “O nosso principal problema é o juro e o spread”, disse Lula.

O presidente ouviu, durante as quase três horas que durou a reunião, as colocações das centrais e, segundo os dirigentes presentes, mostrou-se sensibilizado com as revindicações apresentadas. Os sindicalistas entregaram ao presidente uma pauta cujo principal item é a redução em pelos menos dois pontos percentuais da taxa básica de juros. O encontro de Lula com as centrais realizou-se na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) que irá decidir a nova taxa básica de juros (Selic).

JORNADA

Embora considere o primeiro trimestre um período delicado, Lula disse que os problemas existentes em alguns setores serão tratados pontualmente e pediu aos sindicalistas que evitassem assinar acordos de redução de jornada e de salário. “Não há, a não ser o problema do crédito, nada que justifique uma redução de empregos”, afirmou Lula aos dirigentes das centrais, após fazer um balanço da situação econômica do país, englobando o reaquecimento das vendas de automóveis e o resultado obtido pelo comércio no Natal.

Em relação às demissões, principalmente em São Paulo, o presidente concordou com as ponderações apresentadas no documento das centrais, que, além da redução da Selic, reivindicava contrapartidas sociais, especialmente a garantia dos empregos em todas as empresas ou setores econômicos beneficiados com recursos públicos (empréstimos de bancos públicos, isenções fiscais, etc.).

O presidente determinou aos ministros Luiz Dulci e Carlos Lupi que se reúnam com as centrais sindicais pelo menos a cada dez dias para fazer um balanço da geração ou corte de empregos. Além disso, uma comissão tripartite foi criada no Ministério do Trabalho para monitorar o corte de postos de trabalho nas empresas beneficiadas com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
De acordo com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a garantia de empregos e as contrapartidas sociais por parte das empresas agraciadas com financiamentos do FAT são exigências previstas em lei e nada há de anormal no governo cobrar a sua implementação.

SELIC

“O presidente Lula se mostrou muito sensível à necessidade de se reduzir os juros no Brasil”, afirmou Artur Henrique, presidente da CUT. Arthur disse na reunião que cada ponto percentual de redução na Selic equivale a liberar R$ 15 bilhões do Orçamento que podem ser usados para estimular a economia através do investimento público.

"A Selic é o principal problema que dificulta o crédito no país. Se o Banco Central tivesse reduzido os juros em dezembro, tivesse dado um sinal positivo para a sociedade, muitos problemas teriam sido evitados. Baixar os juros representa uma grande economia para os cofres públicos, significa mais recursos para serem investidos no PAC”, sublinhou o presidente da CGTB, Antonio Neto.

MONOPÓLIOS

Neto afirmou que as demissões ocorridas no final do ano foram capitaneadas, principalmente, pelos setores monopolistas, pelas transnacionais que estão se utilizando da crise para tentar chantagear o governo e os trabalhadores com o corte de direitos e salários. “Esses grupos remeteram dinheiro aos tubos para as suas matrizes no ano passado. Agora ameaçam com demissões para extrair mais benefícios fiscais do governo e para achatar os salários. Um dos exemplos é o caso da Renault, que aumentou suas vendas em 56% no ano passado e suspendeu o contrato temporariamente de 30% de seus funcionários no Paraná. Não podemos nos submeter a este tipo de situação”, acrescentou o presidente da CGTB.

O presidente da República deu sua garantia de que o governo tomará todas as medidas que forem necessárias para estimular o crédito, o emprego e a produção. Lula foi claro em que espera que o Copom faça uma redução substancial da taxa Selic, situada atualmente em 13,75%.

SALÁRIOS

Sobre as pressões dos setores empresariais para reduzir salários, o presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que “este não é o momento de diminuir horas de trabalho, não é hora de diminuir ou cortar o Orçamento do Estado. O governo precisa investir mais através das estatais, da Petrobrás, da Eletrobrás, deve manter os investimentos que geram emprego e renda”. Por isso, destacou Artur, as centrais foram defender junto ao governo “que ocorra uma redução significativa dos juros, a suspensão temporária do superávit primário e que seja implementada a desoneração da folha, desde que acompanhada de contrapartidas sociais”.

“Não é possível o governo reduzir o IPI e no outro dia as montadoras começarem a mandar trabalhadores embora”, disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Paulinho destacou ainda que será uma afronta se o Banco Central decidir reduzir os juros em míseros 0,5% ponto percentual. Em sua opinião, “é preciso baixar mais de 2%”.

Em relação às contrapartidas sociais e à garantia de emprego por parte dos setores beneficiados com empréstimos bancados com recursos do FAT e por isenções fiscais, o presidente declarou que o governo estudará mecanismos, além dos que já existem no âmbito do Ministério do Trabalho, para implementar essas medidas. Os sindicalistas expressaram a opinião de que a exigência de garantia do emprego já deveria estar vinculada à redução do IPI para os automóveis anunciada no mês de dezembro.

“O presidente pediu que os trabalhadores tomem muito cuidado antes de assinar qualquer acordo com as empresas que envolvam redução da jornada de trabalho e de salários”, relatou o presidente da UGT, Ricardo Patah, que também enfatizou que o gasto com juros efetuado pelo governo federal representa R$ 152 bilhões que poderiam ser investidos.

“O presidente disse que também é a favor da redução dos juros, mas pediu um tempo para estudar as reivindicações das centrais e dar uma resposta”, afirmou o presidente da CTB, Wagner Gomes.

José Calixto, presidente da Nova Central, manifestou a posição da entidade sobre os juros altos e o emprego.

Sobre o salário mínimo, Lula disse que não existe qualquer possibilidade de redução no índice de aumento estabelecido no acordo com as centrais sindicais, que elevará o salário para R$ 465,00 no mês de fevereiro. O presidente afirmou que manterá todos os investimentos previstos no PAC e anunciou que deverá lançar uma série de medidas de apoio à construção civil nos próximos dias.

Além de Lula, Lupi e Dulci, participaram da reunião com as centrais os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, do Planejamento, Paulo Bernardo, da Previdência Social, José Pimentel, e o ministro interino da Fazenda, Nelson Machado.

ALESSANDRO RODRIGUES
 


Primeira Página

 

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Expediente

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CARTAS

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