
Liminar ganha pela
Apeoesp derrota “provinha” dos ACTs
A APEOESP (Sindicato dos Professores da Rede Oficial do
Estado de São Paulo) conseguiu importante vitória parcial na Justiça contra
a “provinha” imposta pelo governo do Estado aos professores admitidos em
caráter temporário – cerca de 120 mil docentes – para que pudessem escolher
aulas no início do ano letivo de 2009. Na sexta-feira, 16 de janeiro, o
Desembargador Leme de Campos, da 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo, não cassou a liminar que o sindicato
conquistara em ação cívil pública no dia 23 de dezembro.
Concedida pela juíza Maria Gabriela Pavlópoyulos Spaolonzi,
da 13ª Vara da Fazenda Pública do Estado de São Paulo, a liminar, entre
outros itens, impede que a nota obtida na provinha seja utilizada na
classificação dos professores admitidos pela Lei 500/74 (os chamados ACTs,
ou seja, admitidos em caráter temporário) no processo de atribuição de
aulas. O Procurador Geral do Estado, Marcos Fábio de Oliveira Nusdeo,
representando o governo, protocolara agravo de instrumento para tentar
cassar a liminar.
No texto da liminar, a juíza Maria Gabriela Sapolonzi
declara que “o quadro de professores da rede pública conta com profissionais
antigos, especializados nas suas disciplinas. (...) Esta avaliação repentina
veio desprestigiar a especialização dos professores mais antigos da rede
pública de ensino. Afeta o interesse jurídico de milhares de professores.
Constitui um divisor de águas para a renovação deste quadro docente”.
Ao instituir a prova classificatória de ACTs, o governo do
Estado afrontou o princípio da legalidade, uma vez que alterou, por meio de
uma simples Resolução, os critérios para o processo de atribuição de aulas.
E esses critérios, se mantidos, afetarão a segurança jurídica de milhares de
professores já contratados pela Lei 500/74. A APEOESP defende a realização
de concursos públicos para a efetivação de todos os professores.
“A vitória contra a prova imposta pela Secretaria da
Educação foi uma conseqüência do trabalho persistente da diretoria da
APEOESP que, desde o início, alertou para o equívoco desta avaliação que não
garante a efetivação dos professores e os mantém como temporários”, comentou
a presidenta do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha.