Para
centrais, queda de 1 ponto “é pouco”
A decisão de diminuir 1 ponto percentual na taxa Selic, anunciada pelo Copom
na última quarta-feira, foi considerada insuficiente pelas centrais
sindicais.
Em nota, o presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que, “diante do
necessário, queda de 1% é pouco. Porém, diante do conservadorismo do BC e
das pressões do mercado financeiro, que apostava em queda menor, acreditamos
que a pressão do movimento sindical contribuiu para o índice anunciado
hoje”.
Para o presidente da CGTB, Antonio Neto, “se o Copom tivesse baixado a Selic
em 2 pontos, o governo economizaria R$ 30 bilhões que poderiam ser
investidos em obras de infra-estrutura e geração de empregos”. “Reafirmamos
que é necessário diminuir significativamente a Selic, caso o Brasil queira
aproveitar este momento para implementar um verdadeiro e sustentável
crescimento econômico, gerando os empregos necessários para tirar milhões de
brasileiros da miséria”, destacou.
O deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, disse que o
governo acertou no remédio, mas errou na dose. “Esta decisão compromete a
economia no primeiro semestre. Como a inflação e a atividade econômica estão
em franca desaceleração, perdemos uma ótima oportunidade de reduzir
drasticamente a taxa Selic e dar uma injeção de ânimo no setor produtivo,
que sofre com a escassez de crédito no mercado”, disse Paulinho, ressaltando
que “os membros do Copom estão com uma visão míope diante da atual crise e
deterioração econômica mundial. Infelizmente, mais uma vez o governo se
curva para os especuladores. Continuamos com uma taxa básica que é
proibitiva para o setor produtivo”.
Na opinião do presidente da UGT, Ricardo Patah, “o BC dá demonstração de que
está contra os trabalhadores e o Brasil, e em defesa dos interesses dos
banqueiros”. O presidente da UGT diz que os indicadores da indústria e
varejo apontam uma desaceleração na demanda pela falta de crédito e um dos
grandes responsáveis é a manutenção dos juros quase 10 pontos acima da
inflação.
Os presidentes da CTB, Wagner Gomes, e da Nova Central, José Calixto Ramos,
também condenaram a decisão do Copom. “As mobilizações foram importantes
para pressionar o Copom e mostrar que a sociedade começa a cobrar mais
firmemente a redução dos juros”, disse Gomes.