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Metalúrgicos declaram guerra contra demissão e corte salarial
“Nós
vamos lutar e resistir”, conclamou Sérgio Nobre, presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC
Metalúrgicos
da Ford, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen, Karmann-Ghia e Mahle tomaram
as ruas de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, na terça-feira,
em defesa dos empregos e salários. A manifestação, que reuniu cerca de
20 mil pessoas, foi organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e teve como lema a
“superação da crise econômica, sem demissões nem corte de salários”.
Sérgio Nobre, presidente do Sindicato, denunciou
a política de demissão e corte de salários das montadoras estrangeiras,
afirmando que elas “vêm há cinco anos consecutivos tendo recorde de
produção, de venda e faturamento”. “Fechamos o ano de 2008 com
crescimento econômico e muitos setores cresceram e 15 dias depois falam
em reduzir salário e demitir”, declarou. Nobre reiterou ainda que
aqueles que defendem a redução de jornada e salário estão contra o país.
A manifestação teve início por volta das 6 horas
da manhã, quando os trabalhadores realizaram assembléias em suas
respectivas fábricas antes da entrada do turno matutino, interrompendo
momentaneamente a produção. Em seguida, partiram em passeata em direção
ao estacionamento da Mercedes. Mais tarde, seguiram rumo à porta da
Mahle.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos,
“demissão não é algo natural. É uma violência”. O sindicalista disse
ainda que a demissão de trabalhadores no setor é “uma declaração de
guerra”. “Vamos lutar e resistir”, conclamou Sérgio Nobre, ovacionado
pelos trabalhadores.
Durante o ato, o presidente da CUT, Artur
Henrique, exigiu a redução brusca dos juros para que os empregos não
sejam ainda mais ameaçados. “Essa grande mobilização que fizemos hoje é
o início de um calendário de mobilizações que a CUT e suas entidades vão
fazer daqui para frente, para garantir emprego e renda”, afirmou.
“Vocês aqui sabem muito bem, nos últimos anos
trabalharam em três turnos, aos sábados e domingos, em horas extras.
Tudo porque a indústria automobilística brasileira bateu recordes de
produção e vendas”, disse Artur, lembrando: “Em 2008, 3,5 milhões de
carros foram vendidos, número que eles esperavam atingir apenas em 2010.
Então, tem muita gordura pra queimar. Temos condições de encontrar
alternativas, em processos de negociação sérios, para atravessar os
meses de desaceleração econômica até a retomada”.
Para o secretário geral da CUT Nacional,
Quintino Severo, “essa crise foi criada pela especulação, por esse
modelo econômico perverso. Os trabalhadores não criaram esse problema,
então não devem pagar por ele. Não adianta vir com propostas de redução
de salário ou de suspensão de contrato porque nós não vamos nos curvar”,
ressaltou.
O presidente da CUT parabenizou os trabalhadores
pela organização da manifestação. "Vocês sabem dar o exemplo, manter os
trabalhadores organizados e mobilizados para defender seus direitos. A
única garantia para atravessarmos este momento difícil é lutar pela
garantia de empregos e salários. Por isso é preciso tomar as ruas,
literalmente, como estamos fazendo agora".
"Não podemos abaixar a cabeça diante da ameaça
de demissões. Então vamos todos juntos, homens e mulheres, horistas,
mensalistas, metalúrgicos, operários da construção civil e químicos,
todos para as ruas defender nossos empregos e salários", resumiu Adi dos
Santos Lima, secretário geral da CUT-SP e um dos comandantes do carro de
som, assim que a passeata saía do estacionamento da Mercedes.
Nesta quarta-feira, Sérgio Nobre participou de
uma audiência no Palácio do Planalto com o presidente Luis Inácio Lula
da Silva, onde o presidente destacou que dará todo o apoio do governo
federal para a categoria evitar demissões na região. O sindicato sugeriu
a realização de seminários do ABC reunindo trabalhadores, empresários da
indústria, e prefeitos do ABC para debater caminhos do crescimento e
combate ao desemprego. |