Centrais fazem atos em frente às sedes do BC por corte nos juros 

Poucas horas antes da reunião do Copom, milhares protestaram em 13 capitais por  “menos juros e mais desenvolvimento”

Poucas horas antes do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciar a redução de 1% na taxa básica de juros, a Selic, milhares de trabalhadores realizaram manifestações em frente às sedes do BC e do Ministério da Fazenda, em 13 capitais, para exigir “menos juros e mais desenvolvimento”.

Além de São Paulo, onde cinco mil marcharam até o BC na avenida Paulista, os trabalhadores ganharam as ruas de Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Vitória, entoando palavras e levantando faixas e bandeiras pelo corte nas mais altas taxas de juros do mundo (13,75%) e a demissão de Henrique Meirelles.

“As centrais estão mais uma vez unidas para exigir a imediata redução dos juros, a fim de que se possa ampliar os investimentos e fazer a roda da economia girar pra frente, fortalecendo a produção, gerando emprego e redistribuindo renda”, afirmou Vagner Freitas, secretário de Políticas Sindicais da CUT Nacional e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT). Vagner condenou “o oportunismo da Fiesp e de banqueiros que apostam nas demissões e no assalto aos direitos para ampliar seus lucros” e alertou que “se tiver demissão, tem greve!”.  “O que o Brasil precisa agora é de investimento, aumento do salário mínimo, de mais crédito para a agricultura e a exportação, de um sistema financeiro que atue em favor da nação”, acrescentou.

 MODELO

 Para o representante cutista, “os trabalhadores não podem pagar por uma crise que é do modelo neoliberal, da cartilha ditada pelo Banco Mundial e pelo FMI de desregulamentação financeira, de privatização do Estado e precarização de direitos. Nós precisamos de uma agenda propositiva. Queremos um sistema financeiro que propicie a expansão da economia, o desenvolvimento. Não aceitamos redução de salário nem de direitos e exigimos que qualquer recurso aplicado para socorrer empresas que estejam realmente em dificuldades sejam acompanhados por contrapartidas sociais”.

Segundo o vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), “o momento é histórico e de alerta”, onde a unidade e a mobilização cumprem papel chave. “Não podemos admitir que os que sempre lucraram com o trabalho de todos venham agora jogar para cima da gente a crise, dizendo que tem que reduzir a jornada e o salário. O presidente da Vale, que fez essa proposta, ganha R$ 448 mil por mês”, declarou Bira, frisando que “o Brasil necessita é de desenvolvimento, com centralização do câmbio, eliminação do superávit primário e liberação de financiamentos do Estado apenas às empresas que dêem como contrapartida a garantia de emprego”.

Para o tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiba e 2º vice-presidente da CGTB, José Avelino Pereira (Chinelo), “a maior taxa de juros do mundo precisa ser urgentemente reduzida para que o país aumente os investimentos. Queremos mais produção, que gera mais emprego, que faz o comércio girar”.

De acordo com Nivaldo Santana, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “com a redução dos juros, que apenas geram lucros cada vez mais fabulosos para os banqueiros, vamos ter mais progresso, ampliando os recursos para as áreas sociais e para a valorização do trabalho”.

 REAÇÃO

 Propondo a imediata demissão de Henrique Meirelles, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, acusou o presidente do BC de “estar a serviço do capital financeiro internacional”. “Não podemos viver com essa crise que atingiu outros países do mundo e começa a afetar profundamente o nosso país. Mais de 600 mil trabalhadores perderam o emprego em dezembro e em janeiro milhares de empresas começaram a demitir. O Brasil precisa deixar de ser o campeão mundial dos juros”, alertou.

O presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), José Calixto Ramos, defendeu que “a redução da Selic é a melhor maneira do país combater a crise. Por isso estamos em frente ao BC, para superarmos este momento com mais investimento, para que a crise não caia sobre os ombros dos trabalhadores”.

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, destacou que “a hora é do emprego” e que as centrais estão unidas contra a irracionalidade do BC. “Lutamos por juros menores, por crédito, por investimento e não aceitamos chantagem empresarial para a redução de salários e direitos, pois só aumentariam o desemprego, a fome e a violência”, frisou Patah.

Destacando a determinação dos trabalhadores em impedir que setores do empresariado lucrem com a crise, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, informou que começam a se multiplicar as greves, havendo três grandes paralisações em curso na sua base. “São greves pela readmissão dos operários demitidos. É absurdo as empresas contarem com alívio fiscal e não terem nenhum compromisso com a manutenção do emprego. Demitiu, parou”, enfatizou.

LEONARDO SEVERO


Primeira Página

 

Página 2

Votorantim leva a Aracruz com verba do FAT cedida pelo BNDES

PDT decide votar em Temer e Tião Viana

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Ajuda não deve ter garantia de emprego, defende Serra

Líderes de 6 partidos registram candidatura do senador petista

Lula felicita Obama e assinala os avanços da América Latina

Para Guerra, tucanos estão unidos para brigar entre eles

Expediente

Página 3

Copom reduz juro em um ponto após nove meses de escalada

Presidente do Ipea defende “queda drástica de 4 a 5 pontos” na Selic

Para centrais, queda de 1 ponto “é pouco”

Iedi: governo deve condicionar acesso dos bancos à liquidez ao aumento do crédito

Sem nova lei do Petróleo, multinacional Esso diz que vai continuar exploração do pré-sal

A terceirização escravagista

 

Página 4

Metalúrgicos declaram guerra contra demissão e corte salarial

Vendas de veículos estão em crescimento

Demissões nas montadoras “são inexplicáveis”, afirma Carlos Lupi

Governo retoma participação na Avibras

Brasil incrementará comércio com países do norte da África

Prédio da Renascer será demolido

CARTAS

Página 5

Centrais fazem atos em frente às sedes do BC por corte nos juros

Taubaté: Metalúrgicos garantem 650 empregos e diminuição da jornada sem redução de salário

Protesto em Brasília exige a redução  drástica da Selic e “Fora Meirelles!”

Trabalhadores de Minas Gerais rechaçam os mais altos juros do mundo: “tiro no pé”

Manifestantes nas ruas de Porto Alegre “contra juros nas alturas”

Ismael e Friaça: vida e morte

 

Página 6

Crônica de burrices anunciadas

Página 7

Israel faz de Gaza campo de provas com armas proscritas

Fósforo branco provoca feridas que dilaceram corpo das vítimas

Devastação deixou mais de 50 mil sem teto

 “Só com forte pressão internacional Israel vai parar agressão a palestinos”

Turquia questiona: “Como um país assim pode entrar pela porta da ONU?”

A AIEA e o ‘problema nuclear’ na Península

Governo sul-coreano detém Yun Jin, líder estudantil que luta pela reunificação do país

Página 8

Obama convoca povo a sacudir a poeira e reconstruir os EUA

Presidente dos EUA inicia processo de fechamento da prisão de Guantánamo

Relator especial da ONU pede a EUA que Bush seja processado por tortura

El Salvador: Frente Farabundo Marti vence em 10 de 14 estados

Cristina Kirchner conclui visita de três dias a Cuba

A conversão das lambisgóias
 

 

Leia

Centrais fecham com Lula ofensiva contra os juros, demissões e redução dos salários

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