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Israel faz de Gaza campo de provas com armas
proscritas
População civil foi alvo dos testes de obuses contendo 116 bastões de
fósforo
branco e explosivos de liga de tungstênio, cobalto e níquel que provocaram
mortes e graves mutilações
Em seus criminosos e indiscriminados ataques ao povo
palestino da Faixa de Gaza, o exército de Israel empregou fósforo branco e
usou a região como campo de provas para experimentos com explosivos com
grande letalidade e capacidade de produzir ferimen-tos mais profundos e
destrutivos. Há denúncias do uso de urânio depletado em obuses atirados
sobre a população.
As denúncias partem das vítimas, de organizações
internacionais de defesa dos direitos humanos (e inclusive por organizações
israelenses), condenações sustentadas em documentos, fotos e depoimentos de
conceituados especialistas.
“No hospital Al-Shifa de Gaza vimos vítimas de algo que tem
todas as características de um novo tipo de arma testado pelos militares
estadunidenses, conhecido como Explosivo de Metal Denso Inerte (DIME, pela
sigla em inglês)”, declararam os médicos noruegueses Mads Gilbert e Erik
Fosse, que trabalham na região há vinte anos. Eles conseguiram sair do
território com 15 feridos graves pela fronteira com o Egito.
AMPUTADOS
São pequenas bombas envolvidas por carbono e uma camada de
tungstênio, cobalto, níquel ou ferro cujo enorme poder de explosão se
dissipa num raio de dez metros. “A dois metros corta o corpo no meio, a oito
metros serra as pernas, abrasando-as como se tivessem sido atravessadas por
milhares de agulhas. Não vimos corpos partidos, mas sim muitos amputados. Em
2006, houve algo parecido no sul do Líbano e vimos isso em Gaza naquele
mesmo ano, durante a operação israelense ‘chuva de verão’. Os experimentos
com ratos têm demonstrado que as partículas que permanecem no corpo são
cancerígenas”, explicaram os médicos.
Um médico palestino, entrevistado no domingo pela rede de
televisão Al Jazeera, relatou sua impotência em casos como estes: “Não há
nenhum rastro visível de metal no corpo, mas há estranhas hemorragias
internas. Uma matéria queima os vasos sanguíneos e causa a morte. Não
podemos fazer nada”. Segundo a primeira equipe de médicos árabes autorizada
a entrar no território ocupado, que chegou no hospital de Khan Yunes vinda
do sul, tinham entrado “dezenas” de casos desse tipo.
O doutor Ahmed Abdu-laziz, professor de cirurgia Egípcio
declarou: “Vimos corpos totalmente enegre-cidos. Vimos partes de corpos,
como membros totalmente atingidos o indicam o uso de armas com DIME. Foi um
massacre em todos os sentidos a intenção não era apenas de matar pessoas,
mas de desfigurá-las”.
LABORATÓRIO
“Será que esta guerra é um laboratório para os fabricantes
da morte? Em pleno século XXI não pode ser possível fechar um milhão e meio
de pessoas e fazer com elas o que se quer, chamando-as de terroristas?”,
disseram os especialistas noruegueses.
Em carta ao novo presidente dos Estados Unidos, Barack
Obama, embaixadores árabes acreditados na Áustria, encabeçados pelo príncipe
Mansour Al-Saud, da Arábia Saudita, expressaram “nosso profundo sentimento e
preocupação a respeito da informação que recebemos de que evidências de
urânio depletado foram encontradas nas vítimas palestinas”.
A carta exige que o diretor geral da Agência Internacional
de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El-Baradei, “urgentemente realize testes
radiológicos e físicos para verificar a presença de urânio depletado nos
armamentos usados por Israel na Faixa de Gaza”. |