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Historiador israelense, ex-professor da Universidade de
Haifa, Ilan Pappe:
“Só
com forte pressão internacional Israel vai parar agressão a palestinos”
O professor universitário israelense Ilan Pappe, em
entrevista para o jornalista inglês Chris Arnot (do jornal The Guardian),
descreveu como teve que deixar Israel após receber diversas ameaças de morte
por ser contrário à ocupação dos territórios palestinos. Atualmente mo-ra na
Inglaterra onde nos últimos 18 meses trabalha no departamento de história da
Universidade Exeter.
Na época em que deixou a Universidade de Haifa, uma foto
sua apareceu no maior jornal de maior circulação de Israel (Yedioth Achronot)
no centro de um alvo desenhado. Ao lado, um colunista escreveu: “Não estou
dizendo a vocês para matar essa pessoa, mas não me surpreenderia se alguém o
fizesse”. O ministro da ‘educação’ israelense pediu publicamente sua
demissão.
Em 2005, Pappe e dois colegas escreveram na internet que os
assentamentos israelenses estavam sendo retirados da Faixa Gaza para dar ao
governo campo livre para bombardear a altamente povoada região. Quando o
atual bombardeio começou no final do ano passado, Israel argumentou que
estava tentando proteger seus cidadãos de foguetes atirados pelo Hamas. Mas
“esses foguetes não começaram até Israel bloquear Gaza”, declarou.
As ameaças de morte já chegavam por carta, email e telefone
desde que Pappe criticou o tratamento aos palestinos em um programa nacional
de rádio.
Em 2006, Pappe passou a morar em Exeter, com sua esposa e
seus dois filhos, de 11 e 14 anos. O temor pelas suas vidas foi uma das
razões pelas quais deixou Haifa. “A outra razão foi que me sentia sufocado
como intelectual”, disse.
O professor também relata em sua entrevista ao jornal
inglês o período em que, aos 19 anos, serviu o exército israelense durante a
invasão síria em 1973. “Eu me lembro do sargento nos dizendo que deveríamos
matar os árabes ainda novos ou eles cresceriam e nos matariam”, disse. “E
essa atitude é difundida. É por isso que os tanques, pilotos de F-16 e os
comandantes de artilharia matam civis sem a menor hesitação. Eles são
desumanizados durante toda sua vida”.
Ao mesmo tempo, Pappe afirmou que continua recebendo apoio
de alguns colegas e muitos estudantes, particularmente palestinos. E
acrescentou que também recebeu apoio externo, incluindo da Associação de
Professores Universitários (AUT) da Inglaterra. “Acho que o meu pior crime
foi quando apoiava boicote cultural e acadêmico a Israel para acabar com a
ocupação. Tenho certeza que apenas uma forte pressão externa irá fazer com
que Israel pare de destruir o povo palestino”.
Questionado por Arnot se não poderia entender a mentalidade
dos israelenses diante “da crescente militância islâmica” ele respondeu:
“Sim eu posso. Há temores coletivos genuínos. Mas penso que esses temores
são manipulados através do sistema educacional e pela mídia para parecerem
piores do que realmente são. E os israelenses não percebem que o seu
comportamento está contribuindo para aumentar esses perigos”. |