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A AIEA e o ‘problema nuclear’ na Península
“No início, nosso país não havia ingressado no Tratado de
Não Proliferação de Armas Nucleares, nem tinha assinado o Acordo de garantia com
a Agência Internacional de Energia Atômica, mas em 1985 nos incorporamos a esse
Tratado e, logo depois, rubricamos o Acordo, com o objetivo de desnuclearizar a
Península tirando as armas nucleares norte-americanas da Coréia do Sul.
Posteriormente, concordamos com a petição da AIEA em relação à inspeção de
nossas instalações nucleares. Até hoje essa organização realizou seus trabalhos
em seis oportunidades. Recentemente, porém, instigada pelos Estados Unidos,
pretendeu efetuar uma ‘inspeção especial’ sobre dois objetivos militares nossos
que não têm nada a ver com as atividades nucleares. Se o permitíssemos seria
como baixar as calças para o oponente, motivo pelo qual não concordamos com a
demanda, e exigimos que os EUA provassem primeiro que haviam retirado suas armas
nucleares da Coréia do Sul. Apesar de suas declarações, os Estados Unidos
recusam a inspeção sobre suas bases estacionadas nessa região asiática. Fica
difícil de entender porque algumas pessoas do Ocidente acreditam no que dizem os
norte-americanos e não no que nós afirmamos. Como chefe de Estado, eu não digo
duas coisas diferentes com a mesma boca. Como forma de ameaça, este ano os
Estados Unidos reiniciaram os exercícios militares conjuntos ‘Team Spirit’ que
tinham interrompido anteriormente.
Em resposta a esse injusto procedimento e à pressão desse
país e da AIEA, declaramos o estado de pré-guerra e nos retiramos do Tratado de
Não Proliferação de Armas Nucleares com o propósito de defender a dignidade e a
soberania nacional. Estamos dispostos a nos sentar à mesa de negociação, se
assim o desejarem os Estados Unidos, para solucionar o ‘problema nuclear’. Mas,
se continuarem nos pressionando, saberemos desafiá-los com firmeza. Eles se
equivocam se pensam que podem nos dobrar através da pressão. Não seremos como os
cristãos que mostram a outra face a quem haja esbofeteado uma. Se os
norte-americanos nos bombardeiem, lhes assestaremos um forte contragolpe.
Responder com golpe ao golpe inimigo é a nossa invariável posição de princípio.”
KIM IL
SUNG
Trecho
extraído da “Conversa com a Delegação do Movimento Revolucionário 8 de Outubro”,
em 5 de abril de 1993, publicado no volume 44 das Obras Completas |