Obama convoca povo a sacudir a poeira e reconstruir os EUA

1,8 milhão de pessoas foram a Washington para dar posse a Barack Obama e ter certeza de que os 8 anos de Bush acabaram de vez. De costa a costa, país parou para acompanhar juramento do presidente

Cerca de 1,8 milhão de pessoas, vindas do país inteiro, transformaram a posse de Barack Obama na maior manifestação já ocorrida em Washington e, nas palavras do novo presidente dos EUA, marcaram a vitória da “esperança sobre o medo” e da “unidade sobre a discórdia”. Primeiro presidente negro dos EUA, ele convocou o povo norte-americano a “reconstruir o país” - devastado pela ganância de Wall Street e pelas guerras de Bush -, e rejeitou o fundamentalismo de mercado e o unilateralismo em vigor. “Rejeitamos como falsa a escolha entre nossa segurança e nossos ideais”, assinalou, apontando que o poder [militar] por si só não nos protege, nem nos permite fazer o que nos apetecer”, e que a discussão, hoje, quanto ao governo “não é se ele é grande ou pequeno demais”, mas “se funciona – se ajuda as famílias a encontrar um emprego com salário decente, atendimento médico, aposentadoria decente”. “Sem um olhar atento que o vigie, o mercado pode sair de controle”, registrou, acrescentando que um país “não pode prosperar por muito tempo quando favorece unicamente os prósperos”.

A multidão começou a chegar antes mesmo de o dia amanhecer, apesar do inverno rigoroso em Washington, com temperatura abaixo de zero. Gente de todas as idades, brancos, negros, hispânicos, asiáticos. Por toda parte, o brado “O-ba-ma!”. Muitos, muitos jovens, no mesmo cenário que abrigou as grandes manifestações nos anos 60 contra a segregação racial. Onde ecoou o “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King. Onde veteranos se desfizeram das condecorações e estudantes repeliram a guerra do Vietnã, entre o Memorial de Lincoln, e as escadarias do Capitólio, e mais além. E, nos anos mais recentes, da “Marcha dos 1 Milhão de negros”. Onde, agora, os votos das urnas de novembro se revelam rostos, bandeiras, mobilização.


OUSADIA

Como assinalou Obama, ao se referir à questão da ação do Estado para deter a derrocada econômica, “o que os cínicos deixam de compreender é que a terra se moveu sob seus pés – que os argumentos políticos gastos que nos consumiram por tanto tempo não se aplicam mais”. Mais adiante, ele voltou à questão, conclamando o povo norte-americano, a se “reerguer, sacudir a poeira, e começar novamente o trabalho de reconstruir a América”. Ele advertiu que “o estado da economia pede ação, ousada e veloz” – não apenas para “gerar novos empregos”, mas para “deitar novas bases para o crescimento” através de investimentos na infra-estrutura e na ciência. Ação que só dará resultado se tiver como fundamento um sentido de bem comum, um novo espírito de “responsabilidade”, “trabalho duro” e “coragem”.

Mas não era só em Washington: de costa a costa, milhões pararam o que faziam para acompanhar, pela tevê, ou em telões, o juramento de Obama com a mesma bíblia com que o presidente Abraham Lincoln marcou seu compromisso com a nação e o fim da escravidão. Também sem serem nominados, mas indiscutivelmente presentes no teor do discurso de Obama, três dos maiores vultos da história norte-americana – George Washington, Franklin Roosevelt e Martin Luther King. Ironicamente o único nominado foi W. Bush, que ouviu impassível a descrição da herança maldita que deixava ao povo norte-americano. Um incontido alivio perpassou a manifestação inteira, quando, afinal, decolou o helicóptero que levou de vez W. Bush: acabou. Uma verdadeira catarse, no relato de uma colunista do “New York Times”. Possivelmente, a última vez que um vôo de helicóptero provocara tanto frenesi foi na célebre última partida de Saigon.

APLAUSOS

Após a posse, Obama, acompanhado da primeira-dama Michelle, seguiu de limousine pela Avenida Pennsylvania, até a Casa Branca, sob aplausos da multidão. Em certo trecho do percurso, onde só há prédios do governo federal, o presidente e a esposa desceram do carro e percorreram alguns metros a pé, saudando a população. Além do desfile que se seguiu à posse, o casal presidencial também compareceu a vários bailes comemorativos à noite. Significativamente, a posse se dá quando o país comemora 200 anos do nascimento de Lincoln, e no dia seguinte do feriado nacional em homenagem a Luther King, que faria 80 anos. Obama, que se elegeu o primeiro presidente negro da história dos EUA, se apresentando como o candidato da unidade e da mudança, se referiu à questão brevemente, ao se descrever como um homem “cujo pai, há menos de 60 anos talvez não tivesse sido servido num restaurante local”, podia, naquele dia, se colocar diante de todos “para fazer o mais sagrado dos juramentos”. Referindo-se à luta de tantas gerações, ele ressaltou: “então, marquemos este dia com a recordação de quem somos e da distância que já percorremos”. Em outro assunto em que há muito o que avançar, Obama, em proposta ao “vasto mundo muçulmano”, disse que no seu governo os EUA “buscarão um novo caminho em frente, baseado no interesse e respeito mútuos” e se disse disposto a “estender a mão” à diplomacia.



 ANTONIO PIMENTA


Primeira Página

 

Página 2

Votorantim leva a Aracruz com verba do FAT cedida pelo BNDES

PDT decide votar em Temer e Tião Viana

Sarney “não altera trajetória” do PT em relação a Temer, diz Berzoini

Ajuda não deve ter garantia de emprego, defende Serra

Líderes de 6 partidos registram candidatura do senador petista

Lula felicita Obama e assinala os avanços da América Latina

Para Guerra, tucanos estão unidos para brigar entre eles

Expediente

Página 3

Copom reduz juro em um ponto após nove meses de escalada

Presidente do Ipea defende “queda drástica de 4 a 5 pontos” na Selic

Para centrais, queda de 1 ponto “é pouco”

Iedi: governo deve condicionar acesso dos bancos à liquidez ao aumento do crédito

Sem nova lei do Petróleo, multinacional Esso diz que vai continuar exploração do pré-sal

A terceirização escravagista

 

Página 4

Metalúrgicos declaram guerra contra demissão e corte salarial

Vendas de veículos estão em crescimento

Demissões nas montadoras “são inexplicáveis”, afirma Carlos Lupi

Governo retoma participação na Avibras

Brasil incrementará comércio com países do norte da África

Prédio da Renascer será demolido

CARTAS

Página 5

Centrais fazem atos em frente às sedes do BC por corte nos juros

Taubaté: Metalúrgicos garantem 650 empregos e diminuição da jornada sem redução de salário

Protesto em Brasília exige a redução  drástica da Selic e “Fora Meirelles!”

Trabalhadores de Minas Gerais rechaçam os mais altos juros do mundo: “tiro no pé”

Manifestantes nas ruas de Porto Alegre “contra juros nas alturas”

Ismael e Friaça: vida e morte

 

Página 6

Crônica de burrices anunciadas

Página 7

Israel faz de Gaza campo de provas com armas proscritas

Fósforo branco provoca feridas que dilaceram corpo das vítimas

Devastação deixou mais de 50 mil sem teto

 “Só com forte pressão internacional Israel vai parar agressão a palestinos”

Turquia questiona: “Como um país assim pode entrar pela porta da ONU?”

A AIEA e o ‘problema nuclear’ na Península

Governo sul-coreano detém Yun Jin, líder estudantil que luta pela reunificação do país

Página 8

Obama convoca povo a sacudir a poeira e reconstruir os EUA

Presidente dos EUA inicia processo de fechamento da prisão de Guantánamo

Relator especial da ONU pede a EUA que Bush seja processado por tortura

El Salvador: Frente Farabundo Marti vence em 10 de 14 estados

Cristina Kirchner conclui visita de três dias a Cuba

A conversão das lambisgóias
 

 

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