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País registra saldo negativo
de US$ 28,3 bilhões em transações correntes
Remessas aumentam
51% e contas externas têm déficit
Montadoras
raspam o tacho e enviam US$ 5,6 bilhões às suas matrizes no exterior. O setor de
metalurgia, US$ 3,8 bi, e os bancos, US$ 3 bi
As transações correntes (contas externas) do
balanço de pagamento apresentaram em 2008 um saldo negativo de US$ 28,300
bilhões, o pior resultado nos últimos dez anos. Segundo os números do Banco
Central, divulgados na segunda-feira (26), o principal fator para o déficit em
conta corrente foram as remessas de lucros e dividendos (US$ 33,875 bilhões) das
multinacionais, que tiveram um crescimento de 51% em relação a 2007 (US$ 22,435
bilhões). É a desnacionalização da economia cobrando o seu preço.
As contas externas são resultantes do somatório
da balança comercial (exportações menos importações), serviços e rendas
(remessas de lucros, juros, viagens internacionais, royalties, entre outros) e
transferências unilaterais. No ano passado, o saldo positivo da balança
comercial (US$ 24,746 bilhões) e das transferências unilaterais (US$ 4,188
bilhões) não foi suficiente para fazer frente ao déficit em serviços e rendas:
US$ 57,234 bilhões. Desse montante, US$ 33,875 bilhões em remessas de lucros,
US$ 2,2 bilhões em pagamento de royalties, entre outros recursos que saíram do
país.
Os defensores da submissão aos monopólios
comemoraram a entrada do valor recorde de US$ 45,060 bilhões em investimentos
estrangeiros diretos (IED), em sua esmagadora maioria destinada à aquisição do
capital de empresas. No ano anterior, o total de IED que ingressou no país foi
US$ 34,585 bilhões. Contudo, os resultados verificados em 2007 e 2008, como em
anos anteriores, demonstram que quanto maior o ingresso de investimento
estrangeiro – leia-se desnacionalização -, maiores as remessas de lucros e,
portanto, mais dificuldades nas contas externas.
Até porque a entrada dos ensalsados
investimentos diretos não significa necessariamente um ingresso de dinheiro que
ajude a fechar as contas. No mês de dezembro, por exemplo, o IED somou US$ 8,117
bilhões, dos quais US$ 3,08 bilhões corresponderam à venda de 40% da Nacional
Minérios S.A (NAMISA), subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), para
uma empresa japonesa. Porém, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco
Central, Altamir Lopes, a CSN mandou logo a seguir esses dólares para fora,
computados como investimento brasileiro no exterior.
Do total das remessas de lucros, as montadoras
foram as responsáveis pela maior quantia: US$ 5,614 bilhões. Foram esses
monopólios que iniciaram as demissões no final do ano, além de conceder férias
coletivas, para extorquir o governo – além do crédito de R$ 8 bilhões e da
redução do IPI - e tentar impor a redução de salário e de direitos dos
trabalhadores, com a única finalidade de aumentar ainda mais os seus superlucros.
Depois das montadoras, o setor de metalurgia, com US$ 3,827 bilhões, e os
bancos, com US$ 3,063 bilhões, foram quem mais enviaram dinheiro para fora.
O envio de volumosos recursos para exterior pelos monopólios não deve ser
circunscrito apenas às remessas de lucros e dividendos. Some-se ainda o
pagamento dos empréstimos intercompanhias, efetuado pelas filiais das
multinacionais instaladas no Brasil às suas matrizes: em 2008, totalizou US$
6,598 bilhões. Sem falar em práticas nada recomendáveis, como superfaturamento e
subfaturamento nas suas exportações e importações.
VALDO ALBUQUERQUE
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