|
Governo injeta R$
100 bi do Tesouro no BNDES
O ministro da
Fazenda, Guido Mantega, anunciou na semana passada um aporte de R$ 100 bilhões
do Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES). O objetivo é garantir o crédito aos investimentos da Petrobrás, em
energia elétrica, infra-estrutura, bens de capital e a indústria como um todo.
“Não faltarão recursos para investimento no Brasil a custo reduzido”, afirmou o
ministro.
De acordo com
o governo, esse aporte será feito por meio da emissão de títulos da dívida
mobiliária federal e do superávit financeiro do Tesouro Nacional do exercício de
2008.
É positiva a
injeção de recursos no BNDES para ampliar os investimentos em 2009, que
totalizarão R$ 116 bilhões. Primeiro porque para manter o ritmo de crescimento
obtido nos dois últimos anos só com a ampliação dos investimentos,
principalmente nos setores a que se referiu o ministro. E segundo, como a
prática vem demonstrando, porque o interesse dos bancos privados não é ampliar o
crédito, mas faturar com a especulação com títulos públicos e ampliar seu
patrimônio. Portanto, é fundamental, sob todos os aspectos, uma maior atuação
dos bancos públicos.
Na coletiva,
Mantega explicou que a liberação de crédito às empresas será feita com a
garantia de manutenção e geração de empregos. “O número de empregos a ser gerado
por cada projeto de investimento será explicitado no contrato entre o BNDES e a
empresa beneficiária. É assim que nós enfrentamos a crise e a desaceleração
econômica. Não há desistência de investimento, os projetos das empresas serão
mantidos”, frisou. “Daqui para frente os créditos estarão condicionados à
manutenção de empregos, vamos exigir a sua explicitação e fazer a fiscalização”,
enfatizou o ministro.
A nação
ficaria muito mais tranquila se, além da garantia de emprego estabelecida nos
projetos, o BNDES também levasse em consideração o comportamento dessas empresas
em período recente. É sobejamente conhecido o caso da Vale, por exemplo, que,
mesmo tendo sido contemplada em 2008 com um crédito de R$ 7,3 bilhões do BNDES,
realizou demissões no final do ano passado e continua insistindo na redução dos
salários dos trabalhadores.
O ministro
não fez nenhuma menção em relação a utilização de recursos do BNDES para
socorrer grupos falidos. Tudo o que o país não necessita é a repetição de casos
como o repasse de R$ 2,4 bilhões, oriundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT),
feitos pelo BNDES para que o Grupo Votorantim comprasse a Aracruz Celulose.
Justo no momento em que a Votorantim Celulose e Papel (VCP) havia acabado de
demitir 200 trabalhadores e a Aracruz, 700. Aliás, revelou-se no ano passado que
os dois grupos especulavam com derivativos. Não há aqui nada que aproxime a
algum projeto de desenvolvimento.
|