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Conselho pede mais crédito e reunião mensal do Copom
“Redução da taxa
básica de juros”, defende a resolução do CDES (Conselho Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social)
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (CDES), reunido em Brasília na última quinta-feira (22), decidiu por
unanimidade propor ao governo a antecipação da reunião do Copom (Conselho de
Política Monetária do Banco Central). Com o objetivo de acelerar a queda da
Selic (taxa básica de juros), os membros do CDES concluíram que as reuniões do
Copom têm que passar a ser mensais e não mais a cada 45 dias como é
atualmente.
“O importante é não esperar 45 dias. É preciso
diminuir mais, é necessário que haja uma redução gradativa. Esta redução
significa menos custo para o governo no pagamento de dívidas”, salientou o
presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady.
Ele confirmou que a decisão de antecipação da reunião do Copom foi aprovada por
consenso de todos os integrantes do conselho.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Arthur Henrique, presente à reunião, também cobrou mais celeridade na
baixa dos juros para o melhor enfrentamento da crise. “É preciso ter crédito
mais rápido, para a produção e para o consumo. Não adianta agora os bancos, que
tiveram lucros enormes nos anos recentes, encherem a televisão com propagandas
de responsabilidade Social e se recusarem a emprestar dinheiro para as micro e
pequenas empresas”, disse o representante da CUT.
No documento que sintetizou as discussões do
conselho, e que será entregue ao presidente Lula, foi reforçada a idéia, já
defendida pelo Ministro do Trabalho e apoiada pelo presidente da República, de
que os créditos abertos por instituições públicas e os demais incentivos sejam
subordinados à manutenção dos empregos por parte das empresas beneficiadas. “Que
a proteção do emprego seja um dos critérios necessários às medidas de incentivo
às empresas e de acesso ao crédito público”, diz a nota.
Outro ponto que foi destacado pelos integrantes
do CDES é a necessidade de que a queda da taxa de juros seja significativa. O
Brasil mantém as maiores taxas de juros do mundo e a redução da taxa Selic de
13,75% para 12,75% na última reunião do Copom foi considerada insuficiente pelos
membros do CDES. “Que seja implementada firme e ágil trajetória de redução da
taxa básica de juros, diminuindo o custo do crédito, estimulando o consumo, e
contribuindo para criar uma expectativa de investimento, defesa do emprego e da
produção nacional”, prossegue a resolução. O CDES ressaltou ainda a necessidade
de redução dos spreads bancários dos bancos públicos e privados, e o papel de
liderança dos bancos públicos nesse sentido.
Os líderes dos empresários e dos trabalhadores
externaram apoio às medidas do governo que buscam manter os investimentos
públicos e os programas sociais. Ressaltaram a importância do compromisso com o
Programa de Aceleração de Crescimento e com a Política de Desenvolvimento
Produtivo. Os conselheiros manifestaram sua preocupação para que “se busque o
fortalecimento do mercado interno, como fator crucial para o crescimento, com
medidas para geração de emprego e renda e consolidação das políticas de
valorização do salário mínimo, de transferência de renda e de apoio à pequena e
micro empresa”.
Reconhecendo que o governo já adotou diversas
medidas importantes e vem conduzindo de forma satisfatória as ações para a
reversão dos efeitos da crise internacional, o CDES avaliou que “o comportamento
ainda instável do câmbio, a escassez e o custo elevado do crédito interno e
externo e o aumento do nível de desemprego continuam exigindo mobilização do
governo e da sociedade”. Entretanto, na contramão das iniciativas que visam o
fortalecimento do Estado para que o governo possa garantir a ampliação dos
investimentos públicos e dos programas sociais foi aprovada uma sugestão de
redução de impostos. Este assunto, que destoou do restante da nota, é tratado em
mais profundidade em outra matéria nesta página (ver na coluna).
O presidente da CUT destacou a importância do
anúncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de disponibilizar R$ 100 bilhões
para financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), mas ponderou que “não adianta apenas emprestar para o ‘clubinho’
de sempre, como a Vale, por exemplo”. “Neste momento, mais do que nunca, os
diretores do BNDES têm de prestar atenção ao S de Social”, frisou o
sindicalista.
SÉRGIO CRUZ
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