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Vale dá US$ 2,5 bi a acionistas e quer reduzir
50% do salário
Sindicatos apresentaram contraproposta: “Pagando
só 50% dos dividendos dá até para recontratar os
que foram demitidos”
A
nova proposta de Roger Agnelli, presidente da
Companhia Vale do Rio Doce, para, em suas
palavras, “garantir tranqüilidade ao
trabalhador”, é cortar pela metade o salário dos
funcionários que entrarem de licença. A
“inovação” trabalhista foi apresentada aos
sindicatos de mineração de minério de ferro dos
estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul no
último dia 22 para, segundo a empresa, “manter
os níveis de emprego”.
Para os sindicatos, não é necessário cortar salário para
garantir o emprego. “A Vale, maior empresa
privada do Brasil, detentora de US$ 15 bilhões
em caixa e tendo ampliado em 40 vezes o seu
valor nos tempos de crescimento econômico,
encontra-se em situação privilegiada para
enfrentar os efeitos da crise econômica mundial
e a queda da demanda do minério de ferro”,
começa a contraposta apresentada pelos
sindicatos Metabase de Congonhas, Ouro Preto e
região e o Metabase de Itabira e região.
E os números da empresa confirmam a avaliação dos
trabalhadores. A proposta - chamada de “inédita”
pela empresa - de reduzir em 50% o salário dos
trabalhadores veio no mesmo dia em que a Vale
confirmou a compra de metade dos 25% que a
americana Woodside tem em dois blocos
exploratórios de gás da Bacia de Santos. Também
no dia 22, foi apresentada a proposta de
pagamento de dividendos no valor de US$ 2,5
bilhões (R$ 5,827 bilhões) a serem realizados no
ano de 2009.
CONTRAPOSTA
Na “Proposta Pública ao Conselho de Administração da Vale
para manutenção dos empregos e benefícios”, os
sindicatos defendem que a empresa “aprove acordo
com os sindicatos no sentido de garantir a
estabilidade no emprego”, “reintegre
imediatamente os demitidos no último período,
inclusive os demitidos pelas empresas
terceirizadas, que devem ser admitidos como
funcionários da Vale”, “rejeite a remuneração
mínima aos acionistas de US$ 2,5 bilhões
indicada pela Diretoria Executiva da companhia,
aprovando no máximo metade desse valor”, entre
outras medidas.
Segundo o Sindicato, seriam necessários apenas 50% dos
dividendos para bancar toda a folha de
pagamentos da empresa no mundo. “A folha de
pagamento a todos os funcionários do mundo não
alcança US$ 1 bilhão e os royalties pagos no
Brasil não chegam a U$$ 200 milhões de dólares”,
diz o documento que defende que se “utilize essa
quantia para garantir a estabilidade no emprego
e a reintegração dos demitidos, tanto quanto o
pagamento integral dos royalties aos
municípios”.
Agnelli vem, desde dezembro do ano passado, defendendo a
“flexibilização” das leis trabalhistas para,
segundo ele, não cortar postos de trabalho. Mas
a empresa, que anunciou lucro de R$ 19 bilhões
no ano passado, já demitiu 1.500 trabalhadores e
colocou 5,5 mil em férias coletivas.
Desta vez, o presidente colocado na empresa pelo acionista
minoritário, o Bradesco, foi ainda mais longe.
Agnelli “informou” que os sindicatos que não
aceitarem a redução de salário não os empregos
de seus associados garantidos. E mais, até para
aqueles que assinarem o acordo, Agnelli
garantiria os empregos apenas até 31 de maio.
Depois disso, tudo irá depender das “condições
de mercado”.
Os trabalhadores da Vale convocaram uma manifestação para o
dia 11 de fevereiro em protesto contra as
demissões e proposta de flexibilização das leis
trabalhistas defendidas por Agnelli. Segundo
Paulo Soares, presidente do Metabase de Itabira,
dirigentes de sindicatos de trabalhadores da
Vale em todo o mundo se reuniram com José
Drummond, da CUT Multi, para promover a unidade
dos funcionários da empresa no Brasil e nos 30
países em que ela atua contra as demissões e as
ameaças aos direitos dos trabalhadores. |