Nova Constituição extingue
leilão de recursos
naturais, afirma Evo
Presidente destaca que unidade do país será construída com base na Carta Magna e
nas oportunidades que ela abre a todos os bolivianos
A
nova Constituição Política do Estado da Bolívia(CPE) foi aprovada no domingo
último com 61,96% dos votantes no referendo constitucional, segundo os
resultados de boca de urna difundidos pela Televisión Boliviana (TVB), canal 7.
O Congresso aprovou o projeto de Carta Magna em outubro de 2008.
“Hoje, 25 de janeiro de 2009 é refundada a Bolívia com
igualdade de oportunidades para todos os bolivianos. Aqui acabou o Estado
colonial. Aqui acabou o colonialismo externo e interno, acabou o
neocolo-nialismo, o leilão de recursos naturais, terminou a era de alguns
senhores que sempre tentaram dar de presente os recursos naturais às
transnacionais”, disse o presidente Evo Morales, diante da multidão que encheu a
Praça Murillo, no centro de La Paz, após tomar conhecimento da vitória ao ‘Sim’.
Morales enfatizou que agora na Bolívia “não há nenhuma meia
lua”, em referência à região assim chamada pela oposição que governa essas
províncias, pois com a nova Constituição “há lua cheia, país unido, a unidade de
todos os bolivianos e todas as bolivianas”.
Ao agradecer o apoio que recebeu a nova Constituição, chave
para avançar nas mudanças no país, Evo mencionou os movimentos sociais e a
Central Obreira Boliviana (COB).
DIGNIDADE
Afirmou que “com seu voto, com a sua consciência, com a sua
participação, o povo boliviano, vocês, constitucionalizaram reivindicações. Por
exemplo, ficou firmada a renda Dignidade que garante a aposentadoria aos
trabalhadores mais sofridos e o bônus para que as crianças não abandonem a
escola”.
Ressaltou que agora os serviços como a água, telefonia,
energia elétrica, são um direito humano, portanto serão considerados serviço
público e não mais negócio privado.
Fez um chamamento a governadores e prefeitos para conformar
um “Conselho de Autonomias”, para aplicar o que estabelece a esse respeito a
nova Constituição.
SIM
O SIM ganhou em seis departamentos: La Paz, Cochabamba,
Oruro, Poto-sí, Tarija e Pando. O NÃO venceu em três departamentos; Santa Cruz,
Beni e Chuquisaca, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas pela Agencia
Boliviana de Informações. O NÃO obteve 36,52%. Foram registrados 1,52% de
brancos e nulos.
Segundo as estimativas, em Potosí se produziu a maior
votação pelo SIM com 78,97% com relação ao NÃO que obteve 20,92%. A outra maior
diferença do voto positivo se registrou em La Paz com 78,41% contra 20,46% pelo
NÃO.
O SIM foi a preferência também em Cochabamba e Oruro. Em
Tarija, o resultado denunciou a fragilidade das pesquisas divulgadas pela mídia
oposicionista, que alardeava sua vitória. O SIM venceu com 52,84%, contra 43,34%
do NÃO. Outro dado extra-oficial surpreendente, apesar da estreita margem, se
registrou em Pando, Estado que os oposicionistas diziam dominar, com 45,87% a
favor do SIM, contra 44,4% pelo NÃO.
Em Santa Cruz, 60,23% dos votos foram a favor do NÃO, contra 39,35% pelo
SIM. Em Beni votaram pelo Não 55,58% contra 37,34% pelo SIM, de acordo com a
pesquisa de boca de urna. O Não também foi majoritário em Chuquisaca.
Segundo o anúncio da Corte Nacional Eleitoral (CNE), em 10
dias se conhecerão os resultados oficiais do referendo constitucional.
A Constituição aprovada determina, pelo artigo 349, que
“caberá ao Estado administrar os recursos naturais em função do interesse
público”. O texto também estabelece que recursos como o gás não podem ser
priva-tizados e que recursos energéticos só podem explorados pelo Estado.
Recursos hídricos também não poderão ser privatizados e está inclusive proibida
sua exploração por meio de concessão. |