|
Monopólios dos EUA
anunciam 60 mil demissões num único dia
A Caterpillar, após ter batido o recorde de 85 anos em lucro por ação,
demitiu 20 mil; a Pfizer, que comprou por US$ 68 bilhões a Wyeth, demitiu
mais 19.500; também passaram a tesoura Nextel, GM e Home Depot
Em um único dia, nesta segunda-feira dia 26, seis das
maiores corporações dos EUA anunciaram 60 mil demissões, numa manifestação
de sobre quem os monopólios pretendem jogar o ônus da crise que provocaram.
Na tesourada, se juntaram a Caterpillar, a maior empresa do mundo em
máquinas pesadas para construção (20 mil demitidos); Sprint Nextel, uma das
gigantes da telefonia (8 mil desempregados); General Motors, ex-maior
montadora do mundo (2 mil empregos a menos); Texas Instruments,
semi-condutores (3.400 trabalhadores cortados); Pfizer, indústria
farmacêutica, (19,5 mil empregos eliminados), e a Home Depot, a maior rede
de lojas de eletrodomésticos e utensílios do país (outros 8 mil na rua).
“PROPÓSITO COMUM”
A sinistra cifra de cortes de postos de trabalho levou o presidente
Barack Obama a assinalar que “não eram apenas números em uma página”. E sim,
“com os milhões de empregos perdidos em 2008”, trabalhadores e trabalhadoras
cujas famílias “foram abaladas e cujos sonhos ficaram em suspenso”. A quem
se deve, acrescentou, uma ação com “senso de urgência e propósito comum”,
sem atrasos ou dilações – em referência ao seu plano de US$ 825 bilhões para
criar ou manter até quatro milhões de empregos, via investimentos em
infra-estrutura, sustentação dos programas sociais essenciais e cortes de
impostos para as famílias trabalhadoras, apresentado ao Congresso dos EUA.
As demissões na Pfizer se seguem à compra da Wyeth, por US$
68 bilhões, a segunda maior transação em anos no ramo farmacêutico, e que
aumenta ainda mais a concentração no setor. O comunicado da demissão de 10%
do quadro de trabalhadores da Pfizer foi acompanhado pela divulgação do
lucro de US$ 8,1 bilhão em 2008. A Caterpillar anunciou as demissões, após
ter batido o recorde de 85 anos em lucro por ação e seu faturamento no ano
passado crescer 14%, para US$ 51 bilhões. O sexto ano consecutivo de recorde
em lucro e faturamento, de acordo com a agência de notícias Efe. A redução
de postos de trabalho na Texas Instruments corresponde a 12% da sua força de
trabalho. Esses cortes de empregos se somam aos 10 mil da Microsoft,
revelados na semana passada, metade funcionários e metade terceirizados, e
aos mil demitidos pela fabricante de motos Harley-Davidson.
Já na GM os cortes serão feitos através da eliminação de um
turno em uma fábrica de Michigan e em outra de Ohio. Além das demissões, a
GM irá interromper a produção de dez fábricas. Cortes que, conforme observou
o “New York Times”, acarretam um efeito em cascata na economia, à medida que
levam ao encolhimento da demanda, e assim, a mais demissões e mais
penalização para os estados – que nos EUA são responsáveis pelo pagamento do
seguro-desemprego. O número de pedidos de seguro-desemprego disparou para
589.000, um recorde em 26 anos.
Como revela a revista “Economist”, “tipicamente 60% dos que
são demitidos não estão aptos ao benefício”. A revista acrescenta que o
valor máximo do benefício na maioria dos estados é de metade do salário no
setor privado. Havendo estados, como o Mississipi, em que o valor máximo
“não é muito maior” que o limite federal da linha de pobreza para um
indivíduo. Desde que a recessão começou oficialmente em dezembro de 2007, já
foram dizimados mais 2,59 milhões de empregos, e a taxa oficial de
desemprego subiu para 7,2%. Mas é ainda maior nos estados mais
industrializados, como a Califórnia (9,3%) e Michigan (10,6%).
ANTONIO PIMENTA
|