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Governo
do Congo pede ao de Ruanda a extradição do renegado Laurent Nkunda
A República Democrática do Congo pediu ao governo de Ruanda
a extradição do general Laurent Nkunda, de etnia tutsi, responsável por uma
onda de ataques e violência no leste do país e o cerco à capital da
província de Kivu Norte, a cidade de Goma. Nkunda foi preso após fugir para
Ruanda. Lambert Mende, ministro da Informação do Congo, confirmou a intenção
de seu governo de obter a extradição: “Ele é congolês, ele cometeu crimes no
Congo”.
Mais de 250 mil pessoas foram forçadas a abandonar seus
lares na província, desde que Nkunda retomou no final do ano passado uma
ofensiva contra as forças do governo, e o número total de desalojados na
província já ultrapassa 850 mil. Nos termos do acordo de pacificação do
Congo, após a guerra que envolveu vários países e matou mais de cinco
milhões de pessoas, Nkunda deveria ter unificado suas forças ao exército
congolês e assumido a patente de general, mas se recusou e manteve sua
própria milícia.
MINÉRIOS
Um peão de Ruanda e de corporações do setor mineral, Nkunda
não aceitou, nem o resultado das urnas, que deram a vitória a Joseph Kabila
em 2006, nem os acordos com do Congo com a China, para extração de minerais
em troca de infra-estrutura e três universidades, entre outros compromissos.
O caos gerado em Goma provocou fortes pressões internacionais para um acordo
entre Kigali e Kinshasa que encerrasse o confronto, e os dois países
chegaram a um acordo para desarmamento das milícias que atuam dos dois lados
da fronteira.
Em um desdobramento, no início de janeiro o chefe de staff
de Nkunda, general Bosco Ntaganda, anunciou a deposição de Nkunda por
“fracasso na liderança política” e expressou disposição em atuar junto com o
exército congolês nas operações de desarmamento de milícias hutus que cruzam
a fronteira e fazem incursões no país vizinho. O enviado especial da ONU, o
ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, saudou a captura de Nkunda, mas
afirmou que ainda há muito trabalho a fazer pela paz. Já a agência da ONU
para refugiados divulgou nota expressando “preocupação” por mais operações
militares em Kivu Norte.
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